sexta-feira, 19 de julho de 2013

Revisão participativa do Plano Diretor - "Isso não é para mim"


 

Márcia Castro*

A Pastoral Fé e Política tem conversado com você, ouvinte da Rádio 9 de Julho, sobre a importância de estar presente na revisão participativa do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade. Talvez você ouvinte, pense que isso não tem a ver com você. Mas tem sim, tem a ver com todos nós moradores da cidade de São Paulo. Nós construímos essa cidade com o nosso trabalho de cada dia e financiamos os serviços públicos com os impostos que pagamos. Tudo tem imposto embutido e por isso como a cidade vai ser pensada nos próximos 10 anos precisa ter a sua participação, a minha e de muitos cidadãos paulistanos.

O Plano Diretor é um olhar sobre a cidade como um todo, sobre como ela é interligada pelo transporte e você conhece as dificuldades e provavelmente tem sugestões de interligações para que o transporte atenda melhor as necessidades da população. É o usuário que sabe que muitas vezes para chegar a um lugar próximo na cidade, tem que se deslocar de forma muitas vezes mais longa, pois não tem uma ligação entre bairros próximos.

Além de pensar no transporte, o Plano Diretor orienta as regiões onde terão construções industrias, comerciais e residenciais. Sabemos que os empregos se concentram no centro da cidade e é hora de pensar incentivos para que os empregos sejam gerados em toda a cidade e em especial nos bairros da periferia.

O relacionamento da cidade com o meio ambiente não vai bem. No Plano Diretor podemos apontar soluções para essa problema e exigir a preservação e aumento das áreas verdes da cidade, bem como aumentar a coleta seletiva e realizar construções de forma ecológica, sustentável.

A moradia é uma dificuldade em São Paulo. A especulação imobiliária elevou muito os preços e é cada vez mais difícil ter um imóvel. Essa dificuldade é muito maior para aqueles com baixa renda, entre eles temos os idosos, deficientes, e o pessoal com pouca escolaridade. A cidade não pode se voltar apenas para os que podem pagar, tem que pensar naqueles que estão em áreas de risco e evitar que outros ocupem esses lugares através de um Plano de Habitação que não beneficie as construtoras apenas, mas que promova o Direito da Moradia Digna.

A cidade tem vários prédios históricos que estão abandonados e que podem ser espaços públicos destinados à Cultura, à Cidadania e à Educação. Nosso patrimônio cultural deve ser preservado e precisamos aumentar e qualificar os eventos culturais de forma contínua e não eventos isolados. A Cultura promove a cidadania e o cuidado com os cidadãos e a cidade.
O órgão da Prefeitura que está ouvindo a população é a Secretaria de Planejamento e também cada Subprefeitura.
         Nas Audiências Públicas a população debate e apresenta propostas para o Plano Diretor. As propostas também podem ser enviadas pela internet até o final de julho no site http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/participe/. Essas propostas estão relacionadas aos objetivos do PDE que apresentei na semana passada e estão disponíveis nesse mesmo site. Você também encontra os relatos de como foram as Audiências já realizadas e a sistematização das propostas apresentadas.

Amanhã às 9h tem audiência pública nas subprefeituras Ermelino Matarazzo (CEU São Carlos Rua Clarear, 141. Jardim São Carlos), Itaim Paulista (CEU Curuçá Av. Marechal Tito, 3400. Jardim Miragaia), Penha (Centro Cultural da Penha Largo do Rosário, 20) e São Miguel (Subprefeitura
R. Dona Ana Flora Pinheiro de Souza, 76).

Esse é um momento de "pensar grande", pensar na cidade como um todo e dizer ao poder público, ou seja, à prefeitura qual é a cidade que queremos em 10 anos. Por isso, tem tudo a ver com você que é cristão e quer ser “Testemunha de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”.

*Membro da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo.
Programa exibido na Rádio 9 de Julho em 19/07/2013.



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