sexta-feira, 6 de julho de 2012

Campanha da Fraternidade 2014 - “Fraternidade e Tráfico Humano“

Filipe Thomaz*
A Igreja tem a responsabilidade de denunciar as injustiças e, para isso, promove todos os anos a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade é expor problemas sérios e sensibilizar a sociedade para a necessidade urgente de buscar soluções. Em 1995, o tema foi a "Fraternidade e os Excluídos" e o lema "Eras tu, Senhor?!" e em 2000, o tema foi "Dignidade Humana e Paz (ecumênica)" e o lema "Novo Milênio sem Exclusões"
Infelizmente, em pleno século 21, por mais absurdo que possa parecer, ainda existe o tráfico de pessoas. As vítimas são muitas, quase sempre pobres que por diversos motivos não tem como se defender dessa violência. Essas pessoas são tratadas como mercadorias e não têm seus direitos humanos respeitados.
Este artigo, publicado no site "www.adital.com.br" pode dar uma idéia da gravidade do problema.
Ir. Roselei Bertoldo
Integra a Comunidade Bem-Aventurada Bárbara Maix e a Rede Um Grito Pela Vida
Adital
Mutirões de Coletas de Assinaturas em prol da Campanha da Fraternidade 2014, sensibiliza e dá visibilidade à triste realidade do Tráfico de Pessoas.
"A escravidão, a prostituição, a venda de mulheres e crianças e as condições de trabalho degradante
onde as pessoas são tratadas com instrumento de lucro em vez de pessoas livres e responsáveis, são
infâmias que envenenam a sociedade humana e constituem uma suprema desonra ao Criador

(Gaudium et Spes, 27)
Nos três anos últimos, a problemática do tráfico de pessoas tem sido pautada em diversos espaços sociais, eclesiais e políticos, e vem ganhando uma maior visibilidade, fazendo com que a sociedade tenha um olhar sobre a triste realidade que faz a cada ano milhares de vítimas.
A Rede Um Grito Pela Vida – no enfrentamento a esta problemática, tem organizado um cronograma de atividades voltado para a prevenção e incidência política no enfrentamento a está grave violação da vida humana. Presente em 12 Estados, a Vida Religiosa Consagrada, leigas e leigos e instituições parceiras desenvolvem ações de sensibilização, prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Sabemos que no panorama internacional e nacional os números de pessoas traficadas são alarmantes, sobretudo de crianças, adolescentes, jovens e mulheres. Segundo estimativas da ONU, o tráfico humano é a terceira atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e armas. Movimenta por ano US$ 31.654.00 (Trinta e um bilhões, seiscentos e cinqüenta e quatro milhões de dólares), neste último ano, atingiu a cifra de 7 bilhões de pessoas. Não podemos fechar os olhos diante desta realidade, é urgente continuar com a mobilização, reforçando as redes de enfrentamento a esta realidade criminosa.
A congregação Irmãs do Imaculado Coração de Maria, em fidelidade ao Carisma Fundacional, decidiu pela inserção na Rede Nacional " Um Grito Pela Vida” e Internacional TALITAKUM de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e pela fundação de uma comunidade em Manaus, no Amazonas com esta missão. A fundação da comunidade se deu em 2011. Entre as diversas articulações desencadeadas no processo de conhecimento da realidade da Amazônia, de modo especifico Manaus, foi dada uma atenção especial no conhecimento desta realidade, na dimensão, econômica, social, cultural, religiosa, política,
A Pesquisa sobre tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para fins de exploração sexual comercial – PESTRAF aponta a região Norte com maior índice de rotas do tráfico de pessoas, um total de 76, por isso a escolha desta região para a abertura da nova comunidade.
Intensificando a coleta de assinaturas do baixo assinado, do GT de Enfrentamento ao tráfico de pessoas da CNBB e a Rede Um Grito Pela Vida, com a proposta de que o tema da CF 2014 seja sobre o Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo, a comunidade Bem- Aventurada Bárbara Maix,em Manaus, muito se empenhou e fez grandes mutirões para a coleta de assinaturas. Num primeiro momento fez articulação com os bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos lideranças das comunidades, diversos grupos e pessoas sensíveis a causa, Muitos foram os espaços ocupados para esta coleta, destacando, escolas públicas e particulares, igrejas (celebrações eucarísticas e novenas) pequenas comunidades, grupos, assembleias e outros.
Em cada espaço onde eram coletadas assinaturas, sempre era feito um momento de sensibilização, com repasse de informações, dados sobre o tráfico de pessoas. Vale destacar três grandes momentos: coleta de assinaturas na catedral, onde os padres e Bispos, Dom Luiz Vieira e Dom Mário Pasqualotto, além de motivar a assembleia para assinar o baixo assinado, faziam alusão ao problema na homilia em cada celebração.
Na novena de São José, por ocasião dos festejos, onde de hora em hora eram celebradas missas e novenas, iniciando às seis horas da manhã e terminando às vinte horas, todos os celebrantes teciam um comentário, ou faziam toda a homilia tendo como tema o tráfico de pessoas, por fim, no santuário da Aparecida, onde acontecem as novenas semanais em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, marcamos presença no dia da fundação da Congregação, oito de maio, todas as novenas que também acontecem de hora em hora, iniciando às seis horas da manhã e terminando as vinte horas, foram celebradas especificamente com o tema: "A vida é um presente de Deus – É preciso protegê-la”. Dando ênfase aos pedidos e agradecimentos, voltados a realidade do tráfico.
Cada celebrante fez sua reflexão voltada para o tráfico de pessoas, foi um dia muito especial, pois, além da coleta de assinaturas que foram recolhidas durante o dia, as pessoas individualmente buscavam informações de como proceder diante de alguma situação de tráfico ou mesmo de exploração. Tivemos duas pessoas que neste dia compartilharam a realidade vivenciada de terem na família experiência de tráfico com suas filhas jovens.
Percebemos um grande silêncio em relação ao problema, em Manaus, porém, quando a sociedade, as pessoas são informadas, se sentem encorajadas a falar sobre isso e até mesmo a denunciar.
Nestes espaços celebrativos que marcamos presença, as pessoas sentiram-se tocadas e sensíveis a realidade. Esta coleta de assinaturas, a partir da informação e sensibilização, teve um total de 11.500 (Onze mil e quinhentos) assinaturas, atingindo um público de mais ou menos 45 mil pessoas, que passaram pelas celebrações nestes três momentos. Em todos os espaços, conseguimos atingir um total de 21.585 (Vinte e um mil e quinhentos e oitenta e cinco) assinaturas,
Um destaque especial a participação em quatro programas na rádio Rio Mar, e um na TV Amazonas, onde podemos divulgar e incentivar a coleta de assinaturas, bem como, falar da realidade do tráfico e das ações desenvolvidas na Rede Um Grito Pela Vida.
Neste primeiro semestre, muitas ações estão sendo realizadas, oficinas com juventudes, mulheres, articulações com o poder público, participação no comitê pró-copa, audiências públicas, mobilizações, caminhadas, o que tem contribuído para a sensibilização e prevenção ao tráfico de pessoas.
Muitos são os desafios que visualizamos, no trabalho de prevenção para que as pessoas sejam informadas sobre o tráfico, para que não caiam nas armadilhas desta REDE criminosa do tráfico de pessoas. A necessidade das comunidades, paróquias pautarem este tema em seus espaços de missão, informação e divulgação nos espaços de comunicação, aprofundamento e estudo da realidade do tráfico de modo especial em Manaus que tem características bem próprias, articulação com o poder público na construção de políticas de enfrentamento a esta realidade, dados atuais que possibilitem visualizar a realidade do tráfico de pessoas na região amazônica, contribuição das universidades na produção de textos, artigos, monografias, pesquisas nesta área.
Temos consciência da gravidade e urgência no enfrentamento desta realidade do tráfico de pessoas, que viola a dignidade do ser humano, por isso, sentimos o apelo de continuarmos trabalhando em prol desta causa na defesa e promoção da vida, em qualquer espaço onde ela for ameaçada.
Manaus, junho 2012.
Pode-se perceber que a situação é grave. Nós, como cristãos conscientes temos a responsabilidade de defender a vida e não podemos ficar de braços cruzados diante dessa violência contra nossos irmãos. A Bíblia relata muitas ocasiões em que parecia impossível vencer a opressão, mas o povo, seguindo a vontade de Deus se uniu e venceu grandes injustiças. Hoje, nós também precisamos nos unir a esses nossos irmãos que estão sendo oprimidos para ajudá-los a se libertar dessa violência.

*Membro da Pastoral Fé e Política

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