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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013

Convidamos a conhecer o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, o banco de indicadores socioeconômicos online lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e pela Fundação João Pinheiro.
O site do Atlas Brasil 2013 já está no ar: www.atlasbrasil.org.br
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 é um site de consulta online ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e a mais de 180 indicadores socioeconômicos que apoiam sua análise. Com dados dos Censos Demográficos de 2010, 2000 e 1991, o Atlas traz informações de 5.565 municípios brasileiros.
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Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento | Brasil
National Human Development Report
United Nations Development Programme | Brazil
Setor de Embaixadas Norte, Qd 802, conjunto C, lt 17
Work +55 61 3038 9091

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Manifesto: Um Plano Diretor para reduzir as desigualdades em São Paulo

O Plano Diretor, instrumento vital de planejamento para nossa cidade, deverá apontar as prioridades que orientarão as políticas públicas para São Paulo nos próximos anos.
Neste momento crucial de discussão sobre as diretrizes da nova legislação, cabe a nós observar os vergonhosos dados sobre a desigualdade em São Paulo, a cidade mais rica do Brasil. Os números são claros e não resta dúvida de que combater as desigualdades deveria ser a grande prioridade do novo Plano Diretor.
Vejamos:
Na recente pesquisa que a Rede Nossa São Paulo realizou com o Ibope, 91% da população declarou se sentir pouco ou nada segura na cidade. Os dados são preocupantes: em 2012, foram 156.959 roubos e 2.317 mortes decorrentes de crimes.
Cada um dos 96 distritos da cidade tem, em média, mais de 110 mil habitantes, número maior que 95% das cidades brasileiras. Em 20 deles, porém, não há um distrito policial.
45 distritos de São Paulo não têm sequer uma biblioteca municipal (aliás, a maioria das bibliotecas municipais fecha aos sábados à tarde e domingos!), 60 não têm centro cultural, 59 não têm cinema, 60 não têm museu, 53 não têm sala de show e concerto e 53 não têm teatro.
Ainda em São Paulo, 56 distritos não têm uma unidade com equipamentos públicos de esporte. As pessoas são obrigadas a percorrer enormes distâncias para satisfazer suas necessidades. Em 38 distritos, não é possível encontrar um parque.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, os dez melhores distritos concentram 37,05% dos empregos, enquanto os dez mais pobres oferecem apenas 1,12% das vagas. Não é por acaso que a mobilidade na cidade é catastrófica.
Milhões de paulistanos precisam percorrer enormes distâncias para ter acesso ao trabalho, à saúde, à cultura e ao esporte, entupindo as vias de circulação. Assim, no item mortes no trânsito, a diferença entre o melhor (Moema) e o pior distrito (Jaguara) é de 23,8 vezes.
No item mortalidade infantil, a diferença é de 8,9 vezes (Marsilac e Barra Funda); em gravidez na adolescência, de 28,5 vezes (Moema e Parelheiros); e em homicídios, de 22,3 vezes (Barra Funda e Pinheiros são os melhores, Campo Limpo é o pior).
A diferença entre a melhor (Jaçanã / Tremembé) e a pior subprefeitura (Mooca) no item área verde por habitante é de 119,9 vezes. Na porcentagem de domicílios sem ligação com esgoto, de 44 vezes (Sé e Cidade Ademar).
A população que utiliza os serviços públicos de saúde espera, em média, 66 dias por uma consulta, 86 dias para a realização de exames e 178 dias para intervenções mais complexas, como internações ou cirurgias. Em 31 distritos, não há sequer um leito hospitalar!
Neste contexto, defendemos que o próximo plano diretor priorize a diminuição das desigualdades em São Paulo. Para isso, deverá focar em quatro aspectos:
1-Eleger o melhor indicador que a cidade já atingiu como meta a ser perseguida para todos os distritos;
2-Dotar todos os distritos da cidade com um mínimo de equipamentos e serviços públicos;
3-Priorizar as ações nos itens em que há menor satisfação da população, conforme pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo sobre a qualidade de vida na cidade (IRBEM – Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município). Na edição mais recente da pesquisa, dos 169 itens avaliados, 139 receberam notas abaixo da média;
4-Priorizar investimentos e políticas públicas nos 30 distritos com os piores indicadores da cidade.
Neste momento de discussão e elaboração do novo Plano Diretor Estratégico, cabe à sociedade participar para fazer de São Paulo uma cidade com menos desigualdades, mais justa, mais digna, mais sustentável, com qualidade de vida para todos.

Rede Nossa São Paulo
Junho/2013

Versão atualizada do mapa da desigualdade

terça-feira, 4 de junho de 2013

Convite para o evento: “O combate à desigualdade e o novo plano diretor de São Paulo" - 07/06

Prezad@s,
A Rede Nossa São Paulo tem a satisfação de convidá-lo(a) para o evento “O combate à desigualdade e o novo plano diretor de São Paulo”, que será realizado no dia 7 de junho, sexta-feira, das 9h30 às 12h30, no SESC Consolação.
O objetivo do evento é colocar o combate às desigualdades na cidade de São Paulo no centro dos debates e das resoluções do novo Plano Diretor.
A sociedade civil, o setor empresarial, a Prefeitura e os vereadores de São Paulo estão debatendo e apresentando suas propostas para a revisão do Plano Diretor da cidade. Este plano irá determinar os rumos da capital paulista para os próximos anos. É um momento crucial para todos os que vivem aqui.
No evento, serão apresentadas uma versão atualizada do Mapa da Desigualdade, uma radiografia da qualidade de vida na cidade da cidade de São Paulo, e um elenco de propostas elaboradas pelos Grupos de Trabalho da RNSP e especialistas.
Além do Prefeito Fernando Haddad, que já confirmou presença no evento, foram convidados também para participarem da mesa: Andrea Matarazzo , presidente da Comissão de Política Urbana da Câmara, (a confirmar), e o vereador Nabil Bonduki (confirmado), integrante desta comissão.
Contamos com a sua participação!
Serviço:
Evento: “O combate à desigualdade e o novo plano diretor de São Paulo”
Dia 7 de junho, sexta-feira, das 9h30 às 12h30
no Teatro Anchieta do SESC Consolação (Rua Dr.Vila Nova, 245).
Confirme sua presença respondendo a este e-mail.
Vagas limitadas à lotação do teatro.
Apoio: SESC

Atenciosamente,
Andrea R. Laurenti Magri
Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo
Missão:mobilizar diversos segmentos da sociedade para, em parceria com instituições públicas e privadas, construir e se comprometer com uma agenda e um conjunto de metas, articular e promover ações, visando uma cidade de São Paulo justa e sustentável.
Imprima somente se necessário.
Acompanhe a Rede Nossa São Paulo e o Programa Cidades Sustentáveis nas mídias sociais!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Aniversário da cidade de São Paulo: diagnóstico e compromissos para sua melhoria


Pedro Aguerre*

A cidade de São Paulo celebrou nesta última sexta-feira o dia de seu aniversário. Fundada há 459 anos como missão jesuítica por José de Anchieta, a região era chamada de Piratininga pelos povos originários que povoavam a região. A cidade que foi lentamente sendo erguida em torno ao que é hoje o Pátio do Colégio teve sempre como uma de suas mais marcantes características a diversidade social de seu povo. Inicialmente representada pela presença de povos indígenas e  brancos portugueses, essa diversidade combinou as marcas da violência, da escravidão, por um lado, e da atuação religiosa, particularmente a jesuítica, com intensa presença na catequização e na educação. Mais adiante, a presença do negro africano escravizado e de outros povos e novos papéis econômicos foram conferindo à cidade a característica que marcaria a definitiva ascensão da cidade, já no século XX, mostrando a vocação para ser chamada de locomotiva do desenvolvimento nacional. A partir daí São Paulo cresce vertiginosamente consolidando esse modelo caracterizado pela grande diferença entre as condições de vida nas regiões ricas e de maior renda e das classes sociais trabalhadoras, as quais residem em áreas quase sempre desassistidas e de grande precariedade estrutural, distantes da área central e dos empregos e da maioria dos equipamentos de lazer e cultura. 
Um estudo da Rede Nossa São Paulo divulgado recentemente apresenta o quadro da desigualdade em São Paulo. Cada uma das 31 subprefeituras tem em média mais de 350 mil habitantes e cada um dos 96 distritos soma mais de 100 mil habitantes, ou seja, se qualquer distrito de São Paulo fosse uma cidade, ela estaria no grupo das 300 maiores cidades do Brasil.
No entanto, ao medir a ausência de equipamentos públicos, observa-se que em 44 distritos não há sequer uma biblioteca municipal, 56 distritos não mantém nenhum equipamento esportivo público e 59 não têm nenhum centro cultural. 1,3 milhões de paulistanos vivem em favelas, muitos dos quais com enorme dificuldade de acesso à cultura, ao esporte e à moradia digna e baixa ou baixíssima renda.
Para contribuir para mudar essa conhecida e vergonhosa situação, na última quinta-feira 17 de janeiro os grupos de trabalho que integram a Rede Nossa São Paulo propuseram diversos objetivos para a nova gestão municipal, tais como a instalação do Conselho de Representantes nas 31 subprefeituras, 43 novas UBS e a eliminação do déficit de vagas em creche, visando contribuir com a elaboração do Plano de Metas que a Prefeitura terá de apresentar até o dia 1º de abril.
Nesse evento foi também apresentada a 4ª edição da pesquisa sobre o nível de satisfação dos paulistanos, denominada IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) com a presença do Prefeito Fernando Haddad e parte de seu gabinete, bem como vereadores e outras autoridades.
O resultado da pesquisa foi que a grande maioria dos indicadores piorou na comparação com os anos anteriores: 82% dos itens avaliados ficaram com média inferior a 5,5. Em particular a área da segurança pública apresentou as maiores variações negativas em aspectos como a segurança na cidade como um todo e nos bairros. Além disso, ficou nítida a sensação de insegurança na cidade, visto que 9 em cada 10 paulistanos afirmam que São Paulo é um lugar pouco ou nada seguro para se viver.
Diante dessa situação, Haddad recebeu um manifesto intitulado “Eliminando a violência na raiz de suas causas”, lido por Caci Amaral, integrante do Grupo de Trabalho Democracia Participativa e da Pastoral Fé e Política, que foi assinado por milhares de pessoas e entidades, conclamando a todos os níveis de governo e o conjunto da sociedade a mudar, para avançar no caminho da paz.
Na ocasião, Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo, fez um pungente pronunciamento para o Prefeito e a platéia lotada do Sesc Consolação, dizendo "Quando 170 mil crianças estão sem creche na cidade mais rica do País, a gente percebe que algo está errado. Quando a diferença dos indicadores entre as regiões mais ricas e mais pobres chega a dezenas, centenas e milhares de vezes, a gente percebe que algo está errado. Quando apenas 1% do lixo da cidade é reciclado, quando haveria oportunidade de trabalho para a população na reciclagem, a gente percebe que algo está errado. Quando temos dois grandes rios passando pela cidade de São Paulo que hoje são esgotos a céu aberto, algo está errado. Quando 91% da população se sente insegura, algo deve estar errado. Quando nos postos de saúde as pessoas esperam dois meses para serem atendidas por um médico, e tantos morrem no meio do caminho, algo está errado. A cidade quer mudança", afirmou.
Após o pronunciamento de Grajew, o prefeito Fernando Haddad disse que, para fazer de São Paulo um lugar melhor para se viver, primeiro, é preciso ter consciência dos problemas que se enfrenta no município. O Prefeito listou algumas das dificuldades e entraves que precisam ser enfrentados para atingir resultados concretos, como o elevado endividamento e o comprometimento do orçamento com contratos bilionários e reforçou compromissos como a busca de parcerias e não deixar de prestar contas das dificuldades para a sociedade, buscando a transparência.
Dias depois, no aniversário da cidade, um resultado de grande significado concreto e simbólico para a cidade foi atingido: como desfecho da longuíssima luta do povo da zona leste por uma Universidade Federal, teve início, por fim, a desapropriação do terreno onde esta será instalada, o belo local em que funcionou no passado a metalúrgica Gazarra, em solenidade que contou com a presença da Presidenta Dilma e do prefeito Haddad e suas equipes. Com a desapropriação, ainda deve restar a discussão sobre os cursos a serem ofertados. A população pede que sejam similares aos oferecidos no campus da capital, com Medicina e Hospital Universitário. Para isso, lideranças da Zona Leste reuniram-se no último dia 22/01 (Terça-feira) na Paróquia São Francisco de Assis em Ermelino Matarazzo, sob a coordenação do Padre Ticão, e de Luiz França (Movimento Pela Implantação da Universidade Federal na Zona Leste) com a nova Reitora  da Unifesp Profa. Soraya Soubhi Smaili e outros professores.
Por fim, não poderíamos terminar sem nos somarmos a todos os que manifestaram pesar e indignação com a tragédia do município de Santa Maria, reafirmando que as cidades sempre devem buscar melhorias e cuidar dos aspectos que contribuem para o bem estar de seus habitantes. Os problemas de alvará e a fragilidade dos procedimentos de segurança utilizados tem que servir para ampliar nossa consciência sobre a imensa responsabilidade dos cidadãos e dos governantes para fazer aplicar as leis, colocando a vida acima de quaisquer outros interesses.
Visite o blog da pastoral fé e política http://pastoralfp.blogspot.com/ especialmente a seção Cidadania Ativa!!
*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa apresentada na Rádio 9 de Julho em 30/01/2013.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A democratização do acesso ao ensino superior público no Brasil: o caso do Programa Universidade para todos Prouni


Pedro Aguerre*
No comentário de hoje, complementaremos as informações sobre a política pública de expansão e democratização do acesso ao nível superior. De fato, na semana passada tivemos oportunidade de apresentar os resultados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), principal instrumento para ingresso no ensino superior público no País. Mostramos que ele vem ampliando paulatinamente a participação de alunos da escola pública atingindo neste ano 50% das inscrições, o que é um avanço importante, haja vista que 80% dos alunos concluintes no ensino médio vêm da escola pública e historicamente não tinham acesso à Universidade.
A implementação da política de Cotas foi um dos fatores que favoreceu para chegar no importante resultado de ampliação da participação dos alunos da escola pública. Atento à dificuldade de permanência na Escola dos alunos de menor renda inscritos pelas cotas que entraram devido às boas notas obtidas no Enem, o governo disponibiliza uma bolsa de R$ 400 por mês, que será renovada para os alunos que tiverem bom desempenho. Assim, o Sisu permitiu o preenchimento de quase 130 mil vagas, disputadas por quase 2 milhões de pessoas, em 3.752 cursos de mais de uma centena de universidades públicas, com uma política de ampliação progressiva da participação dos alunos da rede pública, negros, pardos, indígenas, especialmente os de menor renda.
Um dado interessante é que o Sisu preenche vagas em cursos de diferentes níveis de exigência, incluindo cursos extremamente bem conceituados, como o de Gestão Pública do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília, que foi o mais procurado neste ano, tendo mais de 12 mil alunos inscritos disputando 45 vagas. Em seguida, apareceu o curso de medicina, da Universidade Federal de Juiz de Fora, com 12.216 inscritos concorrendo a 127 vagas e o curso de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC)- com 11.825 candidatos para 160 vagas.
No comentário de hoje, complementamos este quadro, apresentando também os resultados da política de expansão e democratização do acesso ao ensino superior nas universidades privadas, o Prouni. Nos últimos anos, o Programa Universidade para todos já garantiu bolsas integrais ou parciais para estudo em universidades e faculdades privadas a 1,1 milhão de jovens. O Prouni se destina àqueles que fizeram ensino médio em escola pública ou em escola particular com bolsa de estudos, com renda familiar de até 3 salários mínimos por pessoa e que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Foi amplamente noticiado o grande número de candidatos inscritos para o ProUni deste ano, 1 milhão e 32 mil inscritos, cada um podendo assinalar duas opções de curso. Esses alunos disputarão as 162 mil vagas que estão sendo oferecidas em todo o Brasil, para alunos que tiveram pontuação no Enem superior a 450 pontos e não tiraram zero na redação. 70% era composto de bolsas integrais e 30% ofereciam custeio de metade da mensalidade escolar. Vale dizer que a nota inicial de ingresso foi aumentada, do ano passado para este, quando era de 400 pontos, ampliando as exigências de desempenho dos alunos. Os alunos puderam se inscrever em até duas instituições de ensino, nos cursos e turnos disponíveis de sua preferência.
Os alunos que conseguirem aprovação no curso desejado serão convocados até a próxima quinta-feira 24 de janeiro, tendo até o dia 31 para se matricular na instituição de ensino escolhida. E em 9 de fevereiro, será publicada a segunda chamada, para complementação do preenchimento das vagas remanescentes, encerrando a edição deste ano.
Com relação à distribuição geográfica das vagas, 40% das vagas ainda se concentrou em São Paulo, com 187 mil alunos inscritos, Minas Gerais, com 142 mil e Rio de Janeiro, com 76 mil.
Algumas informações adicionais podem ajudar a complementar o quadro. Inicialmente, deve-se destacar que os dois sistemas, Sisu e Prouni, recebem inscrições somente pela Internet,  estimulando e refletindo o avanço da inclusão digital dos jovens. Embora ainda haja diversas regiões com pouco acesso, na maioria das regiões onde há salas de ensino médio, os alunos encontram meios de fazer a inscrição on line. Uma segunda informação é de que, assim como no Prouni, o Sisu também tem uma lista de espera para não deixar sem preenchimento nenhuma das vagas oferecidas, que o aluno que ainda não conseguiu vaga pode pleitear, no curso assinalado pelo aluno como primeira opção.
Por fim, vale destacar que o estudante que conseguir apenas uma bolsa parcial  no Prouni, pode custear a outra parte por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), bastando para isto que a instituição onde o aluno pretende se matricular esteja inscrita nesta modalidade de financiamento. Os professores da rede pública em efetivo exercício do magistério na educação básica, integrantes de quadro de pessoal permanente de instituição pública são estimulados a ampliar sua qualificação, podendo concorrem a bolsas para cursos de licenciatura, estando dispensados de comprovação de renda.
Ou seja, observa-se uma ampliação do interesse e da procura pelo ensino superior. Embora o ensino médio ainda não tenha atingido a maioria da população da sua faixa etária, observamos que os alunos do ensino médio são em número muito maior que as vagas oferecidas, mostrando enorme interesse pela ampliação de estudos e busca de melhores condições de inserção no mercado de trabalho. São dados muito importantes, que mostram que a população busca e aproveita todas as alternativas à disposição para melhorar sua capacitação para conseguir melhores empregos e oportunidades, dando continuidade aos processos de mobilidade social verificados nos últimos anos.
Visite o blog da pastoral fé e política http://pastoralfp.blogspot.com/ especialmente a seção Cidadania Ativa!!
*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa exibido na Rádio 9 de Julho em 23/01/2013.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A democratização do acesso ao ensino superior público no Brasil: o caso do Sistema de Seleção Unificada (Sisu)


Pedro Aguerre*
No comentário de hoje trazemos um tema relacionado à política educacional que frequentou o noticiário nas últimas semanas e que provavelmente, deixou dúvidas na população, por ser muito específico e pelo fato de que grande parte da mídia não tem a tradição de aprofundar temas sociais e educacionais. Trazemos a questão da conclusão do chamado Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Trata-se de um importante sistema no âmbito do Ministério da Educação voltado à destinação das vagas em universidades públicas e institutos federais. Sua importância vem, entre outros motivos, do fato de ser, junto com o Prouni, um dos principais sistemas voltados à democratização e ampliação das possibilidades de acesso ao ensino superior. Além disso, este sistema de seleção incorporou por primeira vez as diretrizes da chamada Lei de Cotas.
O Sisu ofereceu neste ano quase 130 mil vagas em 101 universidades públicas e institutos federais de educação, para 3752 cursos. E, já neste ano, estas instituições reservaram um oitavo das vagas, pouco mais de 10% para estudantes que se enquadravam nos critérios da Lei de Cotas, voltada para alunos de escolas públicas, sejam eles por critérios socioeconômicos, de baixa renda, por critérios raciais, negros ou índios, ou ambos.
Para que se tenha uma ideia  quase dois milhões de pessoas que já concluíram o ensino médio se inscreveram para disputar uma vaga em uma dessas instituições públicas de ensino superior inscritas no Sisu. E nada menos que 44% desses candidatos optaram pelas vagas reservadas pela lei de cotas. Destes, quase meio milhão foi de candidatos que se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas, grande parte deles com renda familiar informada igual ou inferior a 1,5 salário mínimo. E quase 170 mil se inscreveram na provisão da Lei de Cotas, por declararam renda familiar abaixo de 1,5 salário mínimo, sem a especificação racial. Ou seja, a Lei está de fato estimulando segmentos sociais egressos da escola pública mas que até hoje tinham pouquíssimas condições de pleitear uma vaga no ensino superior público.
Vale dizer que a relação candidato vaga do Sisu é alta, de cerca de 15 candidatos para uma vaga, portanto muitos não conseguirão entrar neste momento, tendo que buscar outras alternativas de aprimoramento educacional, como o Prouni, o financiamento educacional, cursos técnicos e tecnológicos, entre outras.
Ao observar as notas de corte obtidas no Enem para obtenção da vaga pelo Sisu, constatou-se que os alunos que se inscreveram nas vagas reservadas pela Lei de Cotas, tiveram notas muito próximas às dos demais alunos que buscavam ingresso nessas universidades. E isto, sem distinção de cursos com altíssima concorrência, como medicina, ou outros cursos com menor exigência para ingresso.
Além disso, ficou claro um fato que, embora esperado, nem sempre é devidamente considerado, ou seja, que na tradição anterior dos processos seletivos baseados nos exames vestibulares, as escolas públicas, que são responsáveis por quase 90% do total dos concluintes do ensino médio, só conseguiam preencher pequena parcela das vagas, ficando a maioria para aqueles mais privilegiados economicamente provenientes do ensino privado. E este é um dado importante pois além de representar uma maior democratização do ensino, a perspectiva de poder disputar uma vaga numa universidade pública deverá ter um impacto positivo na qualidade do ensino público, aumentando o interesse dos governantes na melhoria desse nível de ensino e melhorando o interesse dos alunos, que terão muito a ganhar, podendo finalmente aspirar à formação superior. Os alunos cotistas situados nas menores faixas de renda terão uma bolsa, renovável se o aluno tiver bom desempenho, procurando garantir a permanência diante da necessidade de trabalhar.
Algumas informações complementares são necessárias. A Lei de Cotas do ensino superior se inscreve nas chamadas ações afirmativas, que têm como finalidade corrigir ou atenuar distorções ou desigualdades que não encontram justificativa racional ou moral para sua permanência. E, neste caso, não se pode supor que o ensino superior tenha que continuar a ter essa característica histórica de um privilégio que está restrito aos alunos do ensino particular. Tomando o exemplo da população negra, que compõe mais da metade da população brasileira, não parece razoável que o ensino superior seja de aproveitamento quase exclusivo da população branca, que concentra maiores recursos econômicos e oportunidades, além de não sofrer com o racismo e a discriminação que torna tão difícil a ascensão social e o acesso às oportunidades.
Por fim, a Lei tem prazo determinado de dez anos de vigência. Até lá, o percentual de vagas reservadas ao ensino público, seja pela condição de baixa renda, seja para negros e indígenas, deverá aumentar, para 25% das vagas oferecidas, em 2014, chegando a metade das vagas em 2016. Nestes quatro anos será fundamental a ampliação das vagas e da qualidade do ensino médio, que é uma prerrogativa fundamentalmente dos governos estaduais, a fim de que o conjunto dos alunos da rede pública continue, como neste ano, disputando de igual para igual com os alunos não cotistas.
Outra constatação é de que este sistema de distribuição das vagas baseado no desempenho no Enem, ainda tem alcance limitado. Muitas universidades estaduais ainda mantêm exclusivamente o vestibular, desconsiderando o desempenho do aluno no ensino médio. Poucas estão também desenvolvendo sistemas de ações afirmativas de amplo alcance. Em São Paulo, foram feitas propostas e tem havido algumas iniciativas, mas, a julgar por informações recentemente veiculadas, há dúvidas quanto à potencialidade de uma expressiva inclusão social, especialmente da população de menor renda e das populações negra e indígena.
Visite o blog da pastoral fé e política http://pastoralfp.blogspot.com/ especialmente a seção Cidadania Ativa!!
*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa apresentado na Rádio 9 de Julho em 16/01/2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A semana da consciência negra e a violência letal contra os negros no Brasil


Pedro Aguerre*
Trazemos mais um comentário produzido para a Pastoral Fé e Política.
No comentário de hoje, ainda no bojo da semana da consciência negra, achamos importante ampliar nossas reflexões sobre a desigualdade racial, mas dando destaque à questão da grave crise da segurança pública em São Paulo e seu impacto sobre a juventude pobre paulistana.
Inicialmente trazemos nosso elogio à promulgação do feriado de 20 de novembro, dia em que se celebra o herói brasileiro Zumbi dos Palmares e o mês da consciência negra. Neste dia cumprimentamos a todos aqueles que se irmanam e solidarizam com o problema de nossa forte inequidade racial em nosso País, com a luta contra uma forte discriminação racial institucional e social que ainda existe. Portanto, reconhecemos a necessidade de avanços concretos na luta pela dignidade dos negros em nossa sociedade. Sabemos que tanto a promulgação do feriado como o tema são motivo de crítica e contrariedade de muitos, o que respeitamos. Porém, como procuraremos demonstrar, entendemos que ele traz uma contribuição fundamental nesta etapa da vida nacional, em que se busca ampliar a inclusão social e a democracia. Ademais, muitas vezes as opiniões se modificam pela reflexão sobre os dados de realidade.
Senão vejamos: a cidade de São Paulo, uma cidade de periferias povoadas de negros, geralmente descendentes de migrantes, tem um dos maiores índices de pobreza do país. Entre seus 11,3 milhões de pessoas, de acordo com recente artigo de Luis Nassif, existem 500,6 mil famílias pobres, segundo o Censo de 2010. Com renda de até R$ 140 per capita, todas elas poderiam estar inscritas no Programa Bolsa Família. Porém, o número de famílias cadastradas no programa, é de apenas 226,6 mil - o equivalente a 44% do total, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. São mais de 250 mil famílias, a maioria negras, que a cidade de São Paulo não se esforçou em inserir nos cadastros para que participem de um importante programa social a que teriam direito. Este é só mais um exemplo de que é necessário pautar os direitos dos negros!
Outro exemplo está na carta de Daniel Tavares, negro de 29 anos, ao blog de Cynara Menezes. Diz ele: Minha profissão, de gerente de vendas da Microsoft, me leva a conhecer muitas empresas, e a conhecer várias fórmulas que empresários diversos desenvolvem para ter as melhores equipes e os melhores resultados possíveis. Mas, apesar de serem diferentes, essas fórmulas têm algo em comum: a falta de mulheres negras nelas. Nos meus 29 anos foi raro o momento em que vi uma mulher negra em posição de liderança e destaque em uma empresa. Ao invés disso, elas são a tropa fiel dos departamentos de limpeza, serviços gerais, copas, etc. Começam a rarear das recepções até as supervisões e seus títulos mais comuns são os de Tia/Dona/Querida/Amor.
Ou seja, os avanços da inclusão social e educacional do negro, em programas como Prouni, no ingresso em camadas de maior renda e consumo, não modificam a estrutura social, mantendo o negro numa posição secundária na vida social, como se vê também no caso da subrepresentação dos negros na política. Segundo um relatório do INESC, embora existam causas históricas que explicam as persistentes desigualdades vivenciadas na sociedade brasileira  -  como o passado de exclusão e invisibilidade da população negra -  sabemos que o  racismo é o combustível que ainda alimenta a perversa estrutura racial de nossa sociedade, mantém privilégios e é a chave para entender as desigualdades sociais que assolam o país.
E segue: no caso da violência tem crescido o número de homicídios da população negra e diminuído a taxa de homicídios entre a população branca. Em 2010, morreram proporcionalmente 139% mais negros do que brancos. Dos quase 50 mil mortos por homicídios, em 2010, 53,3% eram jovens, dos quais 76,6% negros (pretos e pardos). Entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 27 mil, em 2002, para 33 mil, em 2010, o  equivalente a um crescimento de 23,4%.  
Grupos militantes vêm denunciando essa situação como um “genocídio” em curso da juventude negra. Há poucos dias foi lançado mais um abaixo assinado, intitulado “Manifesto de repúdio à violência da política de segurança em São Paulo”. Criticando a política de encarceramento em massa e a ausência de outras estratégias, como as penas alternativas, o manifesto afirma: Nas periferias há um misto de ausência de um Estado provedor do bem-estar social e do excesso do Estado punitivo através das forças de repressão e da violência letal acobertada pelo uso do termo “resistência seguida de morte”. Ao mesmo tempo em que as práticas de extermínio se multiplicam e vêm espalhando as mortes violentas de moradores pobres, preferencialmente jovens e negros, das periferias da cidade.
Fazendo referência direta às centenas de jovens mortos nas últimas semanas por assassinos de motos e toucas, em todas as regiões periféricas, a enorme maioria negra e completamente alheia à participação em atividades criminosas, o manifesto diz: “Os responsáveis pela segurança pública devem estar à altura da responsabilidade de suas atribuições e o uso de práticas extra-legais que alimentam essa guerra não podem ser toleradas e muito menos devem fazer parte dos recursos do Estado”.
A crise, que tem como pano de fundo complexas questões ligadas ao crescimento do crime organizado em São Paulo, põe em evidência as políticas de segurança pública no Estado. Analistas afirmam que há pelo menos quatro problemas a serem enfrentados: um padrão autoritário, falta de transparência e pouco controle social na gestão da segurança pública, perda de controle dos liderados, excessivo poder às chamadas polícias de elite e desarticulação entre a atuação das polícias civil e militar.
Recentemente dois desses suspeitíssimos matadores chamavam em voz alta moradores que tivessem “passagem” pela polícia, para em seguida cometer mais uma chacina, matando mais quatro inocentes em uma viela, na Zona Sul.
Criticando a existência de uma lógica cada vez mais militarizada da gestão do social, o manifesto exige “uma política de segurança que desative a lógica da violência e extermínio que hoje prima em nossa cidade”. Infelizmente ainda não se vêm providências à altura do problema. E a insegurança da população das periferias alcança um nível que desde os anos 90 não se via...
Ou seja, ainda há muito a fazer, pela igualdade de direitos e de oportunidades!!
Visite o blog da pastoral fé e política http://pastoralfp.blogspot.com/ especialmente a seção Cidadania Ativa!!
*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa exibido na Rádio 9 de Julho em 21/11/2012.