sexta-feira, 22 de novembro de 2013

7 passos para a Cultura do Bem Viver: Partilha e Poder

No feriado da República (dias 15 a 17 de novembro) aconteceu na Universidade Católica de Brasília (UCB), campus de Taguatinga Sul (DF)  o 9º Encontro Nacional Fé e Política que reuniu quase três mil lideranças de todo o país para refletirem o tema “Cultura do Bem Viver: Partilha e Poder” (http://www.fepolitica.org.br). A Pastoral Fé e Política da ASP esteve presente no encontro, bem como participantes da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi.
            
A Cultura do Bem Viver foi refletida pelo teólogo e biblista Frei Carlos Mesters e registrada pelo Pe. Jaime Patias (Pontífícias Obras Missionárias http://www.pom.org.br). Ele destacou a centralidade da palavra de Deus para a leitura da realidade e  enumerou sete passos da cultura do Bem Viver cultivada pelos povos indígenas. São eles:
1. Uma nova visão sobre a natureza. Embora sejamos muito desobedientes a Deus, ele se mantém fiel a nós e ao ciclo da natureza, esse respeito devemos aprender com os indígenas.
2. Redescobrir a força da palavra. Os indígenas veneram muito a palavra. E Isaías diz: ‘A única coisa que permanece é a palavra de Deus’. A pior coisa que pode acontecer é um povo perder a memória. Os meios de comunicação hoje, pela maneira de apresentar a história muitas vezes apagam em nós a memória. Mesters recordou que 50 anos atrás, quase ninguém tinha a Bíblia em casa e hoje todos têm. “Estamos recuperando a palavra de Deus. A palavra é para conversar e quando estamos nos círculos bíblicos estamos nos confrontando com a palavra de Deus. Isso é conversão, uma conversa grande”, pois brincou com as palavras: “conversa = conversão”.
3. Redescobrir o amor eterno de Deus. Por detrás da natureza está o amor eterno de Deus por nós. ‘Eu amei você com amor eterno. Por isso conservei o meu amor por você’ (Jr 31,3). "O amor é a melhor coisa que o nosso coração pode sentir. E quando somos amados, Deus faz nascer coisas novas no coração da gente”.
4. Uma nova experiência de Deus, uma nova imagem de Deus. Somente em Isaías Deus é chamado de Mãe, Pai, Marido e nós somos sua esposa. Ele é também o Irmão maior. É um Deus de família. Nas experiências da vida formamos a imagem de Deus. Depois de tantos anos de caminhada de Fé e Política, a nossa ideia de Deus melhorou ou não?”, perguntou Mesters.
5. Deus não escreveu um livro, mas escreveu dois livros. Santo Agostinho afirma que Deus escreveu dois livros e o primeiro não é a Bíblia, mas a vida, os fatos, os acontecimentos. E por causa da nossa mania de querer dominar tudo, as letras desse livro se atrapalharam, a gente não consegue descobrir Deus dentro da vida. Então para nos ajudar a ler a vida, Deus escreveu mais um livro que é a Bíblia que não foi escrito para ocupar o lugar da vida, mas para nos ajudar a ler a vida, descobrir Deus na vida. Santo Agostinho nos diz, a leitura da Bíblia todos os dias, é como um colírio que você coloca no olho. Colírio melhora a visão e com esse novo olhar de contemplação, somos capazes de decifrar o mundo.
Conversando, lendo a Bíblia a gente vai descobrir e aí fazemos do mundo uma ‘teofania’(manifestação de Deus) e o mundo se torna de novo transparente para nos falar de Deus. Nesse ponto também podemos aprender muito dos povos indígenas”.
6. Redescobrir a missão. Em Isaías encontramos o Servo sofredor de Javé. Provavelmente Jesus leu muito estes textos do profeta sobre o serviço. ‘O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir’ (Mc 10, 45). Esta é nossa missão principal. Não estamos aqui para dominar, mas para servir.
7. Descobrir uma nova pastoral, uma nova maneira de anunciar a Boa Nova. Carlos Mesters entende isso como “uma nova ação política, uma nova ação de convivência entre nós”. O Frei destacou as palavras: ternura, diálogo, reunião, consciência crítica e alegria. Ternura significa acolher as pessoas, respeitar. Para quem está sofrendo muito não adianta chegar com imposição, tem que acolher, cuidar da ferida do coração. Não se impor, mas conversar para produzir o conhecimento, ser aprendiz.
“O ponto de chegada é Jesus” que gostava de usar para Ele mesmo o termo ‘Filho do Homem’ (83 vezes). “Esse título vem do profeta Daniel (Dn 7) que descreve os impérios do mundo sob a figura de animais. Por que o império é animalesco, desumaniza. Basta ver o império neoliberal, não desumaniza a vida das pessoas? Os meios de comunicação continuam a colocar valores na cabeça da gente que desumanizam a vida. Na visão de Daniel, depois dos quatro impérios aparece o Reino de Deus apresentado com a figura de gente: ‘Filho do Homem’ que não é uma pessoa, mas o Povo de Deus, um povo humano. Esta é a missão mais importante que Deus nos dá. E Jesus assume esta missão. Ele quer humanizar a vida. Isso aparece o tempo todo nos Evangelhos”.
Peçamos a graça de saber humanizar a vida!
O ipê, árvore típica do cerrado foi símbolo do Evento. Uma última ação recordou as nove edições do Encontro Fé e Política ao plantar nove mudas da árvore na entrada principal do Campus da Universidade. Cada participante no evento recebeu nove sementes de ipê para multiplicar a ação em sua cidade, repor o carbono gasto e educar para o cuidado com a natureza.


Programa exibido na Rádio 9 de Julho no Programa Igreja em Notícia no dia 22/11/2013. 

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