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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Situação Carcerária no Maranhão

PADRE VALDIR FALA À IMPRENSA SOBRE SITUAÇÃO CARCERÁRIA NO MARANHÃO


Após os episódios de violência no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, que resultaram na morte de nove presos em duas semanas, 22 detentos, supostos líderes de facções criminosas que atuam na unidade prisional, foram transferidos para penitenciárias federais, conforme informou o Ministério da Justiça na quarta-feira, 8 de janeiro.
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“A transferência de presos apenas vai abafar por algum tempo a situação. Há muitos anos, os presos são esquecidos pelo poder Judiciário. Muitos não são julgados, outros 52 já cumpriram pena, mas o judiciário nem acompanha os casos.”, avaliou o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, em entrevista ao portal A12.

O padre, que em novembro esteve no Maranhão em visita a presídios, na companhia de agentes da PCr local, afirmou que a situação carcerária é caótica em outras unidades prisionais maranhenses e não só em Pedrinhas. “Em Balsas e Imperatriz a situação é muito grave. Lá é preso cuidando de preso, infelizmente. A presença da polícia só estimula a violência.”, comentou.

Em entrevista ao Portal IG, em dezembro, o coordenador nacional da Pastoral já havia recordado que na visita que fez à cadeia de Imperatriz (MA), descobrira que havia 54 detentos sem julgamento, e que só após os casos serem levados pela Pastoral ao juiz da Comarca, estes foram soltos, por ter sido verificado que se tivessem sido condenados pelos crimes a eles atribuídos, já deveriam estar há anos em liberdade.

Ao jornal Correio Braziliense, no início de janeiro, padre Valdir comentou que além do poder executivo maranhense, o Judiciário também contribuiu com o quadro de tensão do sistema prisional do Maranhão. “É um estado que tem pouca defensoria pública. Muitas vezes, o preso só conhece o defensor na hora do julgamento”, criticou, alertando, ainda, para a falta de agentes penitenciários e de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. “Sem esse quadro, não existem cuidados com as pessoas presas. Além disso, há uma grande ausência de escolas e de trabalho. Tudo o que a lei de execução penal determina, está ausente. Esse quadro está fora de controle, com uma ausência total do Estado no sistema prisional. Só estão prendendo e segurando a porta”, lamentou.

De acordo com relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 60 presos foram mortos no Complexo de Pedrinhas durante o ano de 2013. O Maranhão é o sétimo estado brasileiro no “ranking” de penitenciárias superlotadas. Em São Luís e na região metropolitana há uma escalada de violência: entre 2000 e 2013, o número de homicídios cresceu 460%, tendo havido, somente no ano passado, 807 mortes.

PCr no Maranhão alertou sobre o caos carcerário

Nos últimos 14 meses, ao menos por três vezes, a Pastoral Carcerária no Maranhão alertou para a precariedade das condições carcerárias no estado.

Após sua assembleia estadual de 2012, realizada em novembro, a Pastoral emitiu uma carta aberta, em que constatava “a escandalosa situação na qual se encontram, em nosso estado, os condenados do sistema prisional”, e alertava para os riscos da transferência da Secretaria Adjunta de Justiça para os diretores das unidades prisionais, das atribuições de fiscalização de torturas e de maus tratos aos presos e da efetivação de assistência aos apenados.
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Em outubro de 2013, em nota conjunta com outras entidades da sociedade civil maranhense, a Pastoral voltou a destacar o descaso do governo estadual para com os presos, indicando a urgência de se enfrentar o alto índice de assassinato nas prisões, a superlotação carcerária, as condições insalubres das unidades prisionais, a centralização da custódia de presos na capital e a terceirização da atividade penitenciária. Também recomendava a retirada de mais de 200 presos que estavam na quadra da CCPJ de Pedrinhas.


No mês seguinte, durante a assembleia estadual, realizada na Diocese de Balsas, os agentes da pastoral visitaram a unidade regional de ressocialização em Balsas e assim descreveram o que viram. “Foi uma experiência importante, pois percebemos a triste realidade em que se encontram pessoas privadas de liberdade daquela região, pois são em torno de 50 vagas e tem mais de 150 presos. Em celas totalmente insalubres, são verdadeiras masmorras como da Idade Média, isso em pleno século 21”, consta no relatório da assembleia.


http://carceraria.org.br/padre-valdir-fala-a-imprensa-sobre-situacao-carceraria-no-maranhao.html

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

GRITO DE REPÚDIO CONTRA O DESMATAMENTO NA SERRA DA CANTAREIRA

Dia 7 de Setembro (Sábado), a partir das 13h, na praça do Jardim Flamingo, altura nº 4900 da Estrada de Santa Inês (bairro Pedra Branca, atrás do Horto Florestal)


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Grito dos Excluídos promove coletiva de imprensa hoje às 14:00h

O lema desse ano, “Juventude que Ousa Lutar Constrói o Projeto Popular”, traz a necessidade de toda a sociedade brasileira, sobretudo a juventude, se manifestar e lutar em torno de um Projeto Popular.
Na próxima sexta-feira (30) de agosto, será realizada a coletiva de imprensa do 19° Grito dos (as) Excluídos (as), às 14h, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Sul I, em São Paulo. Estarão presentes na mesa Dom Pedro Luiz Stringhini, da CNBB, Liciane Andrioli, da Coordenação Nacional do Grito, Eduardo Paludette, da 26° Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras, Marcelo Naves, do Instituto Paulista de Juventude e Anderson Lopes Miranda, do Movimento Nacional dos Moradores de Rua, que apresentarão a temática da jornada deste ano, que traz o lema “Juventude que Ousa Lutar Constrói o Projeto Popular”. Para o Grito dos Excluídos, este é um momento importante da conjuntura nacional, tornandose cada vez mais necessário que toda a sociedade, sobretudo a juventude brasileira, se manifeste e lute em torno da construção de um Projeto Popular para o Brasil.
A atividade deste ano dialoga com as mobilizações que aconteceram a partir do último mês de junho, quando milhares de pessoas saíram às ruas em todo o país, principalmente a juventude brasileira, para cobrarem por direitos básicos, como transporte de qualidade, moradia, saúde, educação e pela Reforma Política.
O Grito dos Excluídos é uma atividade nacional, e em 2013 celebra sua 19ª edição. De 1° a 7 de setembro serão realizadas ações, seminários e manifestações em todo Brasil, com o objetivo de colocar no centro da discussão a perspectiva de um projeto popular para o país, fortalecendo as lutas unitárias entre as forças sociais do campo e da cidade.
SERVIÇO:
Data: 30 de agosto de 2013
Horário: 14h
Local: CNBB REGIONAL SUL I
Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 726 – Bairro Bela Vista, São Paulo.
MAIS INFORMAÇÕES:
Secretaria Nacional do Grito: 11- 2272-0627 – Karina da Silva Pereira (11) 99372-3919
Assessoria de Imprensa: Alexania – (11) 97023-8396

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Encontro Nacional de Articuladores e Articuladoras do Grito dos Excluídos


Companheirada da Coordenação do Grito de São Paulo, estamos encaminhando a carta com orientações para o encontro nacional que acontece em São Paulo, e esperamos contar com a participação de 1 pessoa que ajuda a construir o grito na nossa cidade.
Abraços,
Ari/Karina, secretaria nacional do grito – 11-2272-0627 – gritonacional@ig.com.br
 

19 AnosSecretaria Nacional do Grito dos Excluídos

                Rua Caiambé, 126 – Ipiranga - 04264-060 - São Paulo - SP.
Tel/Fax: (011) 2272 06 27
 
São Paulo, 15/03/2013
 
“Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular!”
 
 
15º Encontro Nacional de Articuladores/as do Grito dos/as Excluídos/as
(De 26 a 28/04/2013)
 
Ás companheiras e companheiros que animam e articulam o Grito dos/as Excluídos/as.
           Nós da Secretaria e Coordenação Nacional esperamos que estejam bem de saúde, animados/as e dispostos a continuar contribuindo para repercutir as lutas e Gritos do dia a dia e construir o 19º Grito dos/as Excluídos, em 2013.
           Para ajudar na animação, estreitar laços de unidade e o espírito de construção coletiva, estamos em processo de preparação do 15º Encontro Nacional de Articuladores/as do Grito.
           Esta tem como objetivo, re-lembrar e motivar a cada uma e cada um de vocês para a participação no Encontro Nacional de animadores/as.
           Vocês sabem que a presença do maior número de pessoas e Estados/Regiões no Encontro enriquece e impulsiona o processo do Grito.
           Você que já participou e sabe da importância, provoque, anime, e incentive a discussão e indicação de uma pessoa do seu Estado/Região para participar deste encontro.
           Nós incentivamos para que cada estado se faça presente e desde já afirmamos que todos e todas serão bem-vindos e bem-vindas.
           Como vocês sabem o problema das finanças atinge a todos, mas a Coordenação do Grito mantém a proposta de continuar ajudando nos gastos da passagem para quem vem de distâncias superiores a 1.000 km, de São Paulo. A ajuda possível é de repassar o valor referente a 1 passagem de ônibus convencional. O valor será repassado em materiais de divulgação, (jornal/cartaz/camisetas).
Critérios de Participação:
ü Pessoas comprometidas com a construção do Grito Local/Regional;
ü Pessoas ligadas às Pastorais, Igrejas e ou Movimentos Sociais.
ü Que as pessoas participem até o final do encontro.
Tarefas/Orientações:
ü Trazer dados da conjuntura local/realidade da juventude – exclusão/extermínio, fotos/vídeos/reportagens dos gritos locais.
ü Sugestões para o símbolo do 19º Grito;
ü Para a noite cultural tragam na mala ou no embornal, comidas, frutas e músicas típicas para socializar.
ü Nosso encontro terá início no dia 26/04 às 10h, e término no dia 28/04 às 14h – Programem-se.
ü Prazo para confirmação presença 15/04/2012.
ü O custo com a casa: R$ 80,00 cada diária, sem roupa de cama e R$ 70,00 se trouxerem suas roupas de cama/toalha .
ü Local Casa de Apostolado Salvatoriano, Av. Lino de Almeida Pires, 130, Vila Guarani, São Paulo, Metro Jabaquara,  fone: 11-5012-8217
Abraços a todos/todas   
Ari/Karina/Goretti   
           COMO CHEGAR! Ao local do 15º Encontro dos Articuladores
 Aeroporto de Cumbica GuarulhosPegar o ônibus circular para o metrô Tatuapé e pegar o metro até a estação Sé, trocar de metro e pegar sentido Jabaquara, descer na Estação Jabaquara.
Aeroporto de CongonhasPegar um ônibus até o metro Jabaquara, ou pegar um taxi, fica em torno de R$ 25,00.
Terminal Rodoviário TietêEntrar na estação pegar metrô sentido Jabaquara e descer nesta estação.
Terminal Rodoviário Barra FundaIr até o metrô Sé, descer e fazer baldeação, sentido Jabaquara, descer nesta estação.
Obs.: Da Estação de Metrô Jabaquara o custo de Taxi é aproximadamente R$ 10,00. Ou ir a pé tempo aproximado é de 15 minutos.
Obs.: Ainda acontecerá outras duas atividades, caso tenham possibilidades de participarem:
ü Nos dias 17 e 19/abril - Plenária Nacional da Assembleia Popular. Casa Sagrada Família, no Ipiranga. Maiores: 11- 3392-2660 (Secretaria da Assembleia Popular)
ü Nos dias 22 a 26/abril Curso de Formação “O Estado Financeirizado”, Casa Sagrada Família, no Ipiranga. Maiores: 11-3112-1524 (Secretaria do Jubileu)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular


Márcia Castro*

Esta Campanha da Fraternidade nos chama a desenvolver práticas em favor dos jovens. Por este motivo o tema do Grito dos excluídos de 2013 tem a Juventude no centro dessa manifestação. Foi definido na última semana pela a coordenação do Grito com contribuições vindas de todo o Brasil. “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular” é o lema do 19º Grito dos Excluídos que acontece em 07 de setembro. 
Você sabe o que é o Grito dos Excluídos? É uma manifestação popular, um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. É realizado em um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de exclusão social na sociedade brasileira.
O Grito é parte do processo da 5ª Semana Social Brasileira que temos mencionado frequentemente neste programa. No ano passado trouxe o lema: Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!
Vale retomar que as Semanas Sociais Brasileiras (SSBs)  fermentam a vida da sociedade ao promover a conscientização sobre a conjuntura do momento em que vivemos; contribui para o desenvolvimento do senso crítico, a mobilização, a participação e a ação de conjunto. O Grito dos Excluídos é uma mobilização que é fruto da SSBs e ocorre anualmente em âmbito nacional. Brotou da necessidade de concretizar os debates da 2ª Semana Social Brasileira com o tema Brasil, alternativas e protagonistas. O Grito é promovido pela Pastoral Social da Igreja Católica e desde o início conta com numerosos parceiros ligados às demais Igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), aos movimentos sociais, entidades e organizações.  O Grito nasceu também como uma forma de dar continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo lema – Eras tu, Senhor – abordava o tema Fraternidade e Excluídos. A data nos remete a reflexão de que o Dia da Pátria não pode ser uma independência politicamente formal. A verdadeira independência passa pela soberania da nação. Um país soberano implementa políticas públicas de forma autônoma e livre. Relações economicamente solidárias e justiça social são dois requisitos indispensáveis para uma verdadeira independência. A proposta é trazer o povo das arquibancadas para a rua. O Grito propõe um patriotismo ativo, disposto a expor os problemas do país e debater seriamente seu destino. É um momento oportuno para o exercício da verdadeira cidadania (http://www.gritodosexcluidos.org) e colocar a vida em primeiro lugar.
Nos últimos anos a temática dos direitos da juventude avançou no cenário político brasileiro, com a criação em 2005 do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (PROJOVEM). O Governo Federal passou a ser o responsável pela criação de programas e ações voltadas para a juventude. É necessário efetivar as políticas públicas formuladas nos espaços de participação, como as duas Conferências Nacionais de Juventude que aconteceram em 2008 e 2011. Tais Conferências recomendam políticas públicas relacionadas ao trabalho, à cultura, à educação, ao esporte, ao lazer, ao meio ambiente, à vida segura, à saúde e a várias outras demandas de fundamental importância para a concretização e possibilidade de vivência dos direitos.
 Cabe ao poder público estimular e garantir o protagonismo da juventude nos aspectos políticos, desde o levantamento das demandas, elaboração e efetivação das políticas públicas, até a fiscalização e avaliação. Cabe aos cidadãos, o desenvolvimento da consciência política e o exercício constante do olhar crítico sobre essas políticas públicas, a fim de que correspondam sempre às suas necessidades básicas.
Reúna-se com os jovens da sua comunidade e diga a eles que o lema do Grito dos Excluídos se refere a Juventude e que a coordenação nacional da 5ª Semana Social Brasileira (SSB) desenvolveu um   vídeo sobre a participação da juventude com o objetivo de mostrar como os jovens brasileiros podem se mobilizar. Esse vídeo está disponível no site www.semanasocialbrasileira.org.br. Se você, querido ouvinte, tem dificuldade de acessar a internet, os jovens irão com mais facilidade acessar. Após assistirem juntos, conversem sobre o assunto e descubram os caminhos da participação.

*Membro da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo.
Programa apresentado na Rádio 9 de julho em 01/03/2013.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

São Paulo acolhe 16° Grito dos Excluídos


Missa celebrada na manhã desta sexta-feira, 7, na Catedral da Sé, teve por intenção o dia da Pátria e a abertura do Grito dos Excluídos. A missa foi presidida pelo bispo auxiliar da arquidiocese e vigário episcopal para a região Sé, dom Tarcísio Scaramussa, e concelebrada pelo vigário episcopal da região Lapa, dom Júlio Endi Akamine, e demais padres da arquidiocese.
Na saudação inicial, o bispo colocou em oração todo o povo brasileiro, que neste dia 7 celebra 190 anos da Proclamação da Independência. “E pedimos ao Senhor pelo nosso povo. Pelo povo brasileiro, especialmente por aqueles que são excluídos e marginalizados”, disse.
Na homilia, dom Tarcísio destacou que mesmo após tantos anos passados da Independência é preciso assegurar os direitos básicos aos mais necessitados, pois o espírito dos cristãos se “inquieta por perceber que não chegou a todas as pessoas a necessária independência entendida como a garantia de todos os seus direitos respeitados”.
Ainda, sobre a responsabilidade e a preocupação dos cristãos em relação aos problemas da sociedade, o bispo ressaltou que os “cristãos têm a responsabilidade especial na construção de uma sociedade como Deus quer”.
O bispo ressaltou sobre a importância das boas qualidades que devem ter os governantes, e sobre a necessidade de fazer políticas públicas voltadas para a população. “Alguém que deve ser fiel na administração que lhe foi confiada. Que não governe em beneficio próprio, mas em beneficio do bem comum. Que não seja dono, mas servidor do povo, respeitando o povo como protagonista”, destacou.
“Não se transforma um Estado a não ser a partir de um projeto de Nação, e este supõe um povo consciente e participativo. Políticas paliativas são remendo novo em roupa velha não combina e nem funciona. Estruturas velhas de desigualdade, privilégios e injustiças não podem suportar o vinho novo do Reino de Deus”, disse dom Tarcísio.
Ao concluir a homilia o bispo destacou a importância da eucaristia na vida do discípulo. “A eucaristia alimenta, portanto a vida e a esperança dos discípulos de Jesus para proclamar, com ele, as bem aventuranças. Expressão vibrante do gritos dos excluídos, esperança de uma nova sociedade”.
Ao final da celebração as pastorais sociais da Arquidiocese de São Paulo, reunidas com entidades sociais, realizaram um ato em frente a Catedral da Sé, e caminharam até o Museu do Ipiranga dando continuidade ao 16º Grito dos Excluídos que este ano teve como tema: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda a população”

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Eleições municipais, o Grito dos Excluídos e o direito à vida plena


Caci Amaral*

As eleições vêm aí!
E, daqui a um mês, estaremos em frente à urna eletrônica, depositando nosso voto e   decidindo o destino do município de São Paulo e o cotidiano de seus habitantes,   pelos próximos quatro anos.
A cidade de São Paulo vive problemas gravíssimos.
Vamos nos sujeitar a continuar mendigando favores, presteza, cuidados e qualidade do sistema público de saúde?
Sabemos quais são as reivindicações dos milhares de moradores de rua, abandonados a própria sorte pelo poder público municipal?
Vamos continuar  nos deslocando,  por mais de uma  hora, em trens e ônibus lotados,  desde os limites do município para chegar ao local de trabalho, que deveria estar localizado próximo às residências?
Sabemos que é direito de todos e todas a presença de bibliotecas, escolas, teatros, cinemas, centros culturais e emprego próximos das residências?
Milhares de  mães, a menos que possam arcar com as despesas, não encontram creches para seus filhos. Vamos continuar indiferentes a mais este problema da cidade?
Vamos continuar aceitando que uma grande parte de população de São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, more em péssimas condições ou não tenham onde morar? O poder público municipal está ausente e omisso. Dezenas de incêndios aconteceram neste ano em favelas da cidade.  As famílias vitimadas não  recebem atendimento digno e novo local de moradia e não vemos acontecer nenhuma ação preventiva de novas tragédias. 
A cidade convive com  estes e outros problemas graves. O voto é o instrumento na mão do povo para  sinalizar, aos políticos e aos partidos, aqueles  indicadores,  metas, programas, projetos e políticas públicas  que a sociedade quer ver realizados. 
O momento das eleições é  precioso e não pode ser desperdiçado. Para isso, é preciso escolher criteriosamente um candidato ou candidata a prefeito e a vereador. É preciso escolher candidatos que tenham um história de luta política e um programa com condições de enfrentar os  desafios da cidade. Uma escolha criteriosa dos candidatos  é manifestação de amor  ao próximo e à cidade, sinal de respeito à vida dos irmãos e irmãs, testemunho de solidariedade e fraternidade. 
A escolha dos candidatos será sempre uma decisão pessoal, mas a reflexão para a escolha dos melhores candidatos é antes de tudo uma tarefa coletiva, de cada grupo,  comunidade, pastoral, movimento, de modo a colaborar para que mais e mais pessoas possam estar bem informadas para assumir sua escolha pessoal.
Nesta Semana da Pátria acontecem pelo país mobilizações do Grito dos Excluídos, exigindo vida em primeiro lugar. Pastorais sociais, paróquias, movimentos, associações e entidades, mobilizados em passeatas, gritam: Queremos direitos para toda a população. Estamos juntos por emprego, salário, moradia, terra, saúde, educação, cultura, lazer, transporte e meio ambiente.
Escolher e, principalmente, ajudar a escolher com critérios e sabedoria, os representantes do povo  que vão governar a cidade,   em nome do povo,  durante os próximos quatros anos, é também participar e fortalecer esta imensa mobilização do Grito dos Excluídos, construindo um Brasil onde vida plena e digna sejam realidade.
De sete de setembro a sete de outubro ainda há tempo de nos organizar e sinalizar aos partidos e aos políticos que precisamos, sociedade e governo, encontrar políticas que mudem o perfil do desenvolvimento brasileiro, de modo que a vida plena seja o bendito fruto a ser saboreado pelos brasileiros e brasileiras e por todos aqueles que aqui acolhemos.

*Coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo
Programa exibido na Rádio 9 de julho em 07/09/2012






quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quadro político e processo eleitoral na semana da Celebração da Independência do País

Pedro Aguerre*

Estamos na semana em que se comemora uma data muito importante de nossa História, o dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, ocorrida há 190 anos, em 1822, quando foi redigida nossa primeira Constituição. Esta data remete à superação da condição colonial, abrindo-se uma nova etapa na vida política do País, que irá durar até 1899, quando da Proclamação da República. É uma época de plena vigência da escravidão e do regime monárquico em nosso País, entre muitos outros fatos históricos que, infelizmente, são pouco explorados pelos currículos escolares, pelas mídias e pelas manifestações artísticas, dificultando assim, a construção de um sentimento de pertencimento e de responsabilidade sobre os rumos do País.


Nesta mesma semana estará ocorrendo, até a próxima sexta-feira sete de setembro, um evento que, a nosso ver, contribui bastante para a construção de uma cidadania mais plena: a 18ª edição do Grito dos Excluídos, em que movimentos e pastorais sociais promoverão manifestações, como marchas, romarias, vigílias, panfletagens, e passeatas em todo o país. Este ano terá como lema “Um Estado a Serviço da Nação, que Garanta Direitos de Toda a População”. Dom Guilherme Antonio Werlan, presidente da Comissão Episcopal Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) observou que “o Brasil já nasceu um Estado que serve a interesses particulares”. Portanto, acrescentou, “nós temos que mexer na estrutura deste Estado”. O Grito dos Excluídos também abordará a violência contra os jovens, a corrupção, as implicações das obras preparativas para a Copa do Mundo e a construção de barragens na Região Norte do país.
Neste comentário, portanto, aproveitamos esta data para continuar nossas reflexões sobre cidadania e, em especial, sobre política e sobre a importância da participação na vida política do País, tema especialmente importante a um mês das eleições municipais.
E, antes de repercutir o momento pré-eleitoral, quando já falta cerca de um mês para as eleições municipais, vale a pena contextualizar o momento atual, justamente com o propósito de afirmar que vive-se um momento importante da vida política nacional, com as instituições operantes, como corresponde à vida republicana. Determinados processos que mobilizaram intensamente a opinião publica nacional, como o julgamento da Ação 470, intitulada de mensalão, pelo STF, seguem sua rotina institucional, no caso, com o relator avaliando todas as denúncias por capítulos, seguindo-se os votos do revisor e depois dos demais membros do Supremo Tribunal, aceitando algumas denúncias e refutando outras. Também continua a CPMI do contraventor Cachoeira, levantando informações e continuando investigações importantíssimas para o País.
Neste contexto, caminha-se para um processo eleitoral importante para o país e que convida a uma intensa mobilização e participação da sociedade, a fim de, como se diz, fazermos a nossa parte, definindo com o maior discernimento possível nossas intenções de voto e aproveitando o momento para intensificação de nossa participação cidadã.
Iniciadas em 21 de agosto, já estão no ar as campanhas políticas gratuitas no rádio e na TV, por 45 dias, indo até o próximo dia 4 de outubro. Esta campanha ocorre de segunda a sábado, com a duração de 30 minutos às 7h e às 12h, no rádio; e às 13h e às 20h30 na TV. A regulamentação do horário coloca a propaganda dos candidatos a vereadores e vereadoras às terças-feiras, quintas e aos sábados. Além do horário eleitoral gratuito, os candidatos a prefeito têm também direito a inserções diárias na programação normal das emissoras de rádio e TV.
A campanha, que está em pleno curso, passa a trazer novidades importantes, como os debates na TV, em rádios e nos portais da Internet, como foi o caso nesta terça-feira, no debate promovido pela Rede TV e Grupo Folha, com os sete principais candidatos. Mesmo que estes momentos sejam vistos por poucos cidadãos que estão informados a respeito e que podem se manter acordados até mais tarde, isto não impede que as pessoas discutam e tomem conhecimento das posições e debates ocorridos, repercutindo nos dias seguintes suas impressões. A internet e as redes sociais também mostram-se poderosos instrumentos de difusão de opiniões e informações sobre a campanha.
Também merecem destaque iniciativas mais locais, como a que ocorreu no dia 24 de agosto no Salão paroquial da igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, intitulada Encontro dos candidatos a prefeito com o povo da Zona Leste. Estiveram presentes os candidatos Chalita e Soninha, assim como a candidata a vice-prefeita Nádia Campeão, representando o candidato Haddad. Assistido por centenas de pessoas, muitas das quais de pé, os candidatos comentaram suas propostas, responderam perguntas relacionadas aos principais problemas da cidade e, principalmente, puderam receber um documento contendo as propostas elaboradas pelos moradores e organizações da região para o futuro Plano de Metas de São Paulo.
A eleição ocorre no dia sete de outubro em todas as cidades do País, onde são eleitos os mandatários dos cargos proporcionais e majoritários, ou seja, vereadores e prefeitos. A exceção será a realização do segundo turno naqueles municípios que, como São Paulo, contam com mais de 200 mil eleitores e onde nenhum candidato ultrapassar a metade dos votos válidos.

*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa da Pastoral Fé e Política exibido na Rádio 9 de Julho em 05/07/2012.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

16º Grito dos Excluidos Sao Paulo 2012

16º Grito dos Excluídos Sao Paulo 2012




Praça da Sé a partir das:
8h - Missa na Cateral da Sé - Organizada pelo Secretariado Arquidiocesana de Pastoral - Celebrada por Dom Tarcisio Scaramusa.

9h30min - Inicio da Concentração na Praça - Abertura Organizada pelo Forum das Pastorais / Organizações Sindicais, Populares e Culturais
                     
Ritual apresentado pela Comunidade Indígena dos Pankararus

Encenação apresentada pela equipe de mistica do Grito dos Excluídos Sao Paulo 2012: O estado que queremos. 

10h30min - Inicio da caminhada em direção ao Parque da Independência Independência 

12h - Chegada prevista da caminhada iniciada na Praça da Sé
Apresentação cultural de grupos populares, encenação teatral
Encerramento com representações das Centrais Sindicais, Populares e culturais.

Término estimado para as 14h.

Coordenação geral: 
Equipe de articuladores do Grito dos  Excluídos São Paulo.

Contatos:
Grito dos Excluídos São Paulo 2012
Contato 11 3106 5531
gritodosexcluidossaopaulo@yahoogrupos.com.br 
twitter: gritoexcluidosp 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

1ª Caminhada dos Mártires da Diocese de Jundiaí

CONVITE

Cabreuva, 18 de abril de 2012

Paz e bem!

No dia 21 de abril, a Diocese de Jundiaí, através da Pastoral Fé e Política, promove a “1ª Caminhada dos Mártires da Diocese de Jundiaí”, e o convida a estar presente para caminhar, celebrar, fazer memória e assumir o compromisso do mártir Jesus, seguido por tantos outros mártires.

O local do evento será na Comunidade Maria de Nazaré – Avenida Amélia Barbosa, s/nº - Bairro do Vilarejo. Em frente ao Centro de Lazer Silvia Covas.

O Bairro do Vilarejo está situado entre o Distrito do Jacaré e a cidade de Cabreuva. Local de exuberante beleza, por estar dentro da Serra do Japi, porém apresenta gritante realidade social.

O tema da “1ª Caminhada dos Mártires”, ligado à Campanha da Fraternidade 2012 é “Saúde e Vida para Todos”, com os subtemas Saúde, Educação, Meio Ambiente, 5ª Semana Social Brasileira e Grito dos Excluídos 2012.

Estamos entusiasmados e motivados para este evento e pedimos pela intercessão de Nossa Senhora do Desterro, padroeira da nossa Diocese, que este trabalho seja realizado com êxito e eficácia para o bem da Igreja e da Sociedade.

Obs: Após o evento Lanche Comunitário

Fraternalmente


Equipe de coordenação da 1ª Caminhada dos Mártires
Contatos (11) 7367.1584 com Claudio (11) 8791.9217 Reinaldo

Pastoral Fé e Política da Diocese de Jundiaí
Rua Engenheiro Roberto Mange, 400 - Anhangabaú CEP: 13208-200 - Jundiaí – SP - CEP: 13208-970
Fone: (11) 4583-7474
email comunicacaopopular@ibest.com.br


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

17ª edição do Grito dos Excluídos Pela vida grita a terra



Ao longo desta semana, de 1º a 7 de setembro, todas as regiões do país celebram a 17ª edição do Grito dos Excluídos, cujo lema é Pela vida grita a terra... Por direitos todos nós. Trata-se de um conjunto de manifestações populares carregada de simbolismo, aberta às pessoas, grupos, entidades, Igrejas e movimentos sociais comprometidos.

Três são os objetivos da mobilização nacional: denunciar o modelo político e econômico que concentra riquezas e condena milhões de pessoas à exclusão social; tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; e por último, propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social.

Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos teve origem no então Setor Pastoral Social da CNBB, cujo presidente na época, era o bispo de Jales (SP), dom Luiz Demétrio Valentini. Para ele, os 17 anos de realização do Grito mostram sua força e modelo eficiente para propor discussões em torno dos problemas sociais do país. O bispo elenca algumas das bases que sustentam a mobilização por tantos anos.

Sua ligação com a temática tratada pela Campanha da Fraternidade a cada ano, depois a vinculação com a CNBB, a convocação para o dia da pátria, da Independência; o resgate de valores da cidadania, sublinhou. Tem contribuído também para o crescimento do Grito as reflexões sobre temas essenciais para a vida da democracia brasileira.

A cada ano somos levados a refletir sobre os gritos que se levantam e que precisam ser ouvidos; somos chamados a dar respostas conscientes para a nossa pátria, como em relação às drogas e à juventude que é traiçoeiramente envolvida por ela, tendo em vista que a população brasileira corre perigo; o grito muito forte contra a corrupção política, que se estende por tanto tempo e, em relação à natureza, que precisa ser cuidada, enumerou.

O membro da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Ari Alberti, destaca que o Grito tem um papel muito forte de conscientização e envolvimento da população brasileira. É uma forma de dizer que não queremos apenas ver no dia da pátria, passivamente, o desfile de soldados e armas de guerra, mas queremos participar e exigir os nossos direitos e uma sociedade igual para todos. Segundo Alberti, o evento tem crescido nos últimos anos e recebido adesão de muitas cidades, como exemplo o município de Jundiaí, no interior de São Paulo, que vai realizar o Grito pela primeira vez.

O Grito dos Excluídos é hoje uma realidade nacional e acontece em todos os estados, além de receber adesão de novas cidades todos os anos. É um processo de construção coletiva que não se esgota no evento, mas há um antes, um durante e um depois com consequências para a vida das pessoas, afirmou.

As atividades desenvolvidas na Semana da Pátria são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos.

Histórico

O Grito dos Excluídos teve origem no então Setor Pastoral Social da CNBB. Sua primeira edição deu continuidade à reflexão da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema foi Fraternidade e Excluídos e lema foi Eras, tu, Senhor.

Por outro lado, brotou da necessidade de concretizar os debates da 2ª Semana Social Brasileira, realizada nos anos de 1993 e 1994, com o tema Brasil, alternativas e protagonistas. Ou seja, o Grito é promovido pela Pastoral Social, mas, desde o início, conta com numerosos parceiros ligados às demais Igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), aos movimentos sociais, entidades e organizações.

O pressuposto básico do Grito é o contexto de aprofundamento do modelo neoliberal como resposta à crise generalizada a partir dos anos 70 e que se agrava nas décadas seguintes.






Em São Paulo, as atividades começam com a missa na Catedral da Sé às 8:00h.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

NOTA PÚBLICA Comissão Pastoral da Terra







O Estado não pode lavar as mãos diante de mortes anunciadas

Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional
Assessoria de Comunicação

A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra reputa como muito estranhas as afirmativas de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, do Ibama e do Incra que disseram no dia 25 de maio desconhecer as ameaças de morte sofridas pelos trabalhadores José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados a mando de madeireiros no dia 24, em Nova Ipixuna (PA). O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, chegou a afirmar que o casal não constava de nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários,elaborada pela Ouvidoria ou pela Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo.

A CPT, que desde 1985 presta um serviço à sociedade brasileira registrando e divulgando um relatório anual dos conflitos no campo e das violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras, com destaque para os assassinatos e ameaças de morte, desde 2001 registrou entre os ameaçados de morte o nome de José Claudio. Seu nome aparece nos relatórios de 2001, 2002 e 2009. E nos relatórios de 2004, 2005 e 2010 constam o nome dele e de sua esposa, Maria do Espírito Santo. Pela sua metodologia, a CPT registra a cada ano só as ocorrências de novas ameaças.


Também o nome de Adelino Ramos, assassinado no dia 27 de maio, em Vista Alegre do Abunã, Rondônia, constou da lista de ameaçados de 2008. Em 22 de julho de 2010, o senhor Adelino participou de audiência, em Manaus, com o Ouvidor Agrário Nacional, Dr. Gercino Filho, e a Comissão de Combate à Violência e Conflitos no Campo e denunciou as ameaças que vinha sofrendo constantemente, inclusive citando nomes dos responsáveis pelas ameaças.


No dia 29 de abril de 2010, a CPT entregou ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, os dados dos Conflitos e da Violência no Campo, compilados nos relatórios anuais divulgados pela pastoral desde 1985. Um dos documentos entregue foi a relação de Assassinatos e Julgamentos de 1985 a 2009. Até 2010, foram assassinadas 1580 pessoas, em 1186 ocorrências. Destas somente 91 foram a julgamento com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser
um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, continua preso.


As mortes no campo podem se intitular de Crônicas de mortes anunciadas. De 2000 a 2011, a CPT tem registrado em seu banco de dados ameaças de morte no campo, contra 1.855 pessoas. De 207 pessoas há o registro de terem sofrido mais de uma ameaça. E destas, 42 foram assassinadas e outras 30 sofreram tentativas de assassinato. 102 pessoas, das 207, foram ou são lideranças e 27 religiosos ou agentes de pastoral.


O que se assiste em nosso país é uma contra-reforma agrária e é uma falácia o tal desmatamento zero. O poder do latifúndio, travestido hoje de agronegócio, impõe suas regras afrontando o direito dos posseiros, pequenos agricultores, comunidades quilombolas e indígenas e outras categorias camponesas. Também avança sobre reservas ambientais e reservas extrativistas. O apoio, incentivo e financiamento do Estado ao agronegócio, o fortalece para seguir adiante, acobertado pelo discurso do desenvolvimento econômico que nada mais é do que a negação dos direitos fundamentais da pessoa, do meio ambiente e da natureza. Isso ficou explícito durante a votação do novo Código Florestal que melhor poderia se denominar de Código do Desmatamento. Além de flexibilizar as leis, a repugnante atitude dos deputados ruralistas, que vaiaram o anúncio da morte do casal, vem reafirmar que o interesse do grupo está em garantir o avanço do capital sobre as florestas, pouco se importando com as diferentes formas de vida que elas sustentam e muito menos com a vida de quem as defende. A violência no campo é alimentada, sobretudo, pela impunidade, como se pode concluir dos números dos assassinatos e julgamentos. O poder judiciário, sempre ágil para atender os reclamos do agronegócio, mostra-se pouco ou nada interessado quando as vítimas são os trabalhadores e trabalhadoras do campo.


A morte é uma decorrência do modelo de exploração econômica que se implanta a ferro e fogo. Os que tentam se opor a este modelo devem ser cooptados por migalhas ou promessas, como ocorre em Belo Monte, silenciados ou eliminados.


A Coordenação Nacional da CPT vê que na Amazônia matar e desmatar andam juntos. Por isso exige uma ação forte e eficaz do governo, reconhecendo e titulando os territórios das populações e comunidades amazônidas, estabelecendo limites à ação das madeireiras e empresas do agronegócio em sua voracidade sobre os bens da natureza. Também exige do judiciário medidas concretas que ponham um fim à impunidade no campo.




Goiânia, 30 de maio de 2011.
A Coordenação Nacional da CPT

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Grito e o Plebiscito

Por Frei Aloísio Fragosos de Morais www.adital.com.br

Neste ano de 2010 estamos realizando o décimo terceiro Grito dos Excluídos. Até quando? Até quando será necessário gritar? Faz mais de 20 séculos, havia na Judéia, na aldeia de Jericó, um homem chamado Bartimeu, cego de nascença. Ele ouviu dizer que Jesus de Nazaré estava passando por ali. Sentou-se à beira do caminho e pôs-se a gritar: "Filho de David, tem compaixão de mim!". Mas o seu grito foi abafado pelo vozerio da multidão. Então ele gritou mais alto. Os demais, sentiram-se incomodados e mandaram que ele se calasse. Foi aí que Bartimeu reuniu todas as suas forças e gritou ainda mais forte: "Filho de David, tem compaixão de mim!" Desta vez Jesus lhe deu atenção e curou sua cegueira. O que seria de Bartimeu se tivesse se calado? Portanto, o nosso grito não tem prazo de encerrar-se. Jesus mesmo proibiu que calássemos quando respondeu aos doutores da lei, incomodados com o clamor do povo: "se eles se calarem, as pedras falarão".

Contudo, não basta gritar; é preciso dar sentido e poder ao nosso grito. Não devemos gritar feitos loucos. Nem feito crianças. Nem de revolta. Nem de desespero. O nosso é um grito de fé. Temos muitas provas na História de que Deus acaba atendendo ao clamor do seu povo quando este não desiste de clamar. O nosso é também um grito de esperança. Já possuímos a garantia antecipada da vitória final porque caminhamos com a Verdade. Deus nos impele a gritar. Não importa o tempo da duração. Se hoje desfrutamos de muitos direitos fundamentais, é graças ao sacrifício de nossos antepassados, desde milhares de anos. O nosso é, sobretudo , um grito de fraternidade. Ele nasce não da nossa boca e sim da nossa consciência, passa em nosso coração e se torna sentimento.

Gritamos porque amamos. Ele chega à nossa cabeça e se transforma em pensamento. Gritamos porque conhecemos as razões da nossa luta. Ele alcança a nossa vontade e se converte em decisão. Por isso é um grito inteiramente humano, de homens e mulheres. E não termina agora, há de ecoar em outros movimentos organizados, nas urnas eleitorais do próximo pleito político, nas nossas manifestações de fé e de civismo. Um dia o Filho de Deus gritou na cruz do Calvário: "tenho sede!" em nome de todos os excluídos da terra.

A resposta do Pai foi ressuscitar seu Filho e fazer dele nosso companheiro até o final dos tempos. Por isso voltaremos a gritar. Diremos com Che Guevara: "minha casa tem dois pés e meu sonho não tem fronteiras". Este ano, somos convidados a expressar concretamente nossa indignação através de um Plebiscito Popular. Trata-se de uma iniciativa do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e conta com o apoio de numerosas instituições, inclusive da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Visa colher mais de um milhão de assinaturas e, a seguir, enviá-las ao Congresso Nacional com a finalidade de convertê-las em emenda constitucional, determinando um limite para a propriedade da terra. Nossa assinatura é um grito silencioso, mas eloquente e eficaz na conquista da Justiça e da Paz.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

PLEBISCITO - LIMITE DE TERRA

Entre 1 e 7 de setembro, o Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo promoverá, em todo o Brasil, o plebiscito pelo limite da propriedade rural. Mais de 50 entidades que integram o Fórum, farão da Semana da Pátria e do Grito dos Excluídos, celebrado todo 7 de setembro, um momento de clamor pela reforma fundiária em nosso país.

De acordo com as orientações da CNBB estaremos em nossa Paróquia coletando os votos durante as missas da quinta-feira (02/09) e do final de semana.

Convidamos a todos para que compareçam e deposite nas urnas sua opinião sobre o assunto. Se você concorda ou não que nos empenhemos em levar adiante a idéia de uma lei que limite a posse de terras.

Vote! Exerça esse direito!

Leia mais sobre o assunto acessando o site: http://www.limitedaterra.org.br/

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

15º Grito dos Excluídos



Neste próximo dia 7 acontece o 15º Grito dos Excluídos.

Temos que ver esta data como uma oportunidade de mostrarmos a nossa insatisfação com o mundo político, econômico e social que vivemos. Não pode ser somente mais um feriado para se curtir. Chega de assistirmos tudo e continuarmos a reclamar dos que deviam fazer e não fazem. Cada um pode e deve fazer algo para gerar a mudança que queremos. Como disse o Pe. Alfredinho em sua coluna no jornal O São Paulo, chega de ficar assistindo da arquibancada, ou de casa, os desfiles de militares e escolas. Nós temos que ser parte deste momento, estar presente, fazer nossa caminhada para uma sociedade mais justa. O Grito dos/as Excluídos/as é o momento que temos para fazer isso.

O Evento inicia na Catedral da Sé com a Santa Missa às 08:00 horas.
Após a missa, concentração em frente a Catedral onde acontecerá a mística com encenação do grupo de jovens.
Por volta das 10:30 horas inicia-se a caminhada, partindo da Praça da Sé em sentido ao Museu do Ipiranga. Trajeto de aproximadamente uma hora e meia. Chegando ao Museu por volta das 12:00 horas. Neste momento algumas entidades sociais farão o encerramento do evento.

FAÇA A DIFERENÇA PARTICIPE.

www.gritodosexcluidos.org