Mostrando postagens com marcador Campanha da Fraternidade 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Campanha da Fraternidade 2010. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Breve reflexão sobre os avanços socioeconômicos no Brasil atual e as notícias recentes sobre os riscos na economia


*Pedro Aguerre
No comentário de hoje, entraremos um pouco em temas econômicos e sociais. A principal motivação é a de participarmos de um debate que tem aparecido muito na grande mídia, com relação ao momento atual. Fazemos referência à insistência com que são apresentadas enxurradas de notícias sobre a inflação, sobre os investimentos, sobre os juros, que, segundo alguns analistas dos principais meios de comunicação, pareceriam indicar uma situação de profunda crise econômica ou trágicas perspectivas de futuro.
Mesmo concordando parcialmente com alguns aspectos dessas análises, parece importante e oportuno ampliar essas análises, recuando um pouco no passado e tentando daí olhar para o futuro próximo, observando se, de fato, os caminhos que estão sendo trilhados fragilizam ou fortalecem o País. Minimizar as boas notícias e dar interpretação negativa a aspectos saudáveis de nossa economia e aos avanços sociais registrados, dando maior destaque a aspectos críticos, parece uma tentativa de propagar o pessimismo na sociedade, estimulando a desconfiança dos agentes econômicos e influenciando negativamente, assim, os indicadores da economia e as perspectivas de crescimento do país.
Em relação a esta discussão, portanto, todos estão de acordo que o momento atual e a conjuntura que o País atravessa hoje não têm possibilitado um crescimento robusto e sustentável. Nessa direção, contudo, vale dizer que, na apresentação da síntese da Carta de Conjuntura do IPEA, na terça-feira, 26 de março, no Rio de Janeiro, pelo coordenador da área, Fernando Ribeiro e pelo diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, Claudio Hamilton, observou-se que, após o período de desaceleração econômica iniciado em 2010, registrou-se melhora a partir do segundo trimestre de 2012. Destaca-se, nesta melhora, o “mercado de trabalho aquecido, com uma taxa de desemprego de 5,4% em janeiro deste ano, além do crescimento expressivo da população ocupada e da população economicamente ativa (PEA)”. Explicando que a política econômica do governo brasileiro tem como seus objetivos principais impulsionar o ritmo de crescimento, combatendo o risco da inflação, mas procurando não comprometer o bom momento do mercado de trabalho, Ribeiro comentou que (...) “a economia encontra-se em um momento de recuperação gradual, moderada, porém importante.” Mesmo com o delicado momento da economia mundial, especialmente com a continuidade preocupante da crise na Europa, a manutenção da recuperação econômica requer muita atenção e cuidado das autoridades econômicas, para não comprometer o desafio de voltar a crescer sem recuar dos importantes avanços sociais e econômicos dos últimos anos.
O documento “Indicadores de Desenvolvimento Brasileiro”, coordenado pela Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão sublinha os ganhos de uma década de importantes transformações que “tornaram o Brasil uma referência mundial no combate à pobreza e à desigualdade, com geração expressiva de empregos e aumento dos salários”. Tendo ampliado o consumo interno e protegido a economia do país, quando se entrou no contexto da profunda crise global de 2009, diferentemente dos países ricos, não se interrompeu a ascensão social dos mais pobres, nem melhoras consistentes em indicadores educacionais, de saúde e, particularmente, na superação da extrema miséria de milhões de brasileiros.
De fato, saímos de patamares de inflação superiores a 20% ao ano em 2002 para 7,25% no final de 2012. O crédito passou de 25% para 50% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público passou de 60% para 35% do PIB. A renda domiciliar média por pessoa cresceu, desde 2004, a uma taxa média de 4,5% ao ano acima da inflação, passando, em valores atualizados, de R$ 687 em 2003 para R$ 932, em 2011, crescendo mais nas regiões nordeste e centro oeste e reduzindo as desigualdades regionais. A elevação da renda familiar levou, sobretudo, à redução expressiva da população exposta à situação de extrema pobreza no Brasil de 14% para 4,2% da população brasileira. Foram criados 19 milhões de empregos formais, permitindo chegar ao número atual de 46 milhões de ocupações, sendo que a proporção dos trabalhadores com carteira assinada passou de 32% da mão-de-obra para 42%. Mais recentemente, inclusive, o governo da Presidente Dilma enfrentou e derrubou os juros da taxa Selic, que fomentavam a especulação financeira.
Por isso tudo, é que só os relatos ruins acabam distorcendo a realidade. Há sim boas notícias, como a continuidade das transformações sociais. O programa Brasil Sem Miséria é um poderoso exemplo. Já atende quase 14 milhões de famílias, que contam não só com as transferências de renda do Programa Bolsa Família, mas cada vez mais com acesso a serviços e a mecanismos de inclusão produtiva.
Numa pesquisa desenvolvida ao longo dos últimos cinco anos, Walquiria Domingues Leão Rêgo, da Unicamp acompanhou, as mudanças na vida de mais de cem mulheres, todas beneficiárias do Bolsa Família, nas áreas mais isoladas do País, para ouvir da boca dessas mulheres como a vida delas havia mudado depois da criação do programa. É espantoso como o Programa permitiu ampliar a qualidade de vida e o amparo dessas famílias, com o protagonismo das mulheres, muitas vezes chefes de família que antes mal tinham acesso ao mercado de consumo, vivendo no limite da sobrevivência.
Outra pesquisa, divulgada nesta semana vai ainda mais longe, e concluiu haver “evidências de que o Programa Bolsa Família reduz a repetência de quem o recebe”. Os pesquisadores Luis de Oliveira e Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estudaram o Cadastro Único dos programas sociais e compararam as trajetórias educacionais das crianças pertencentes a famílias com renda de até meio salário mínimo e aquelas que estavam no Bolsa Família, que são as mais pobres dentre elas, e observaram que estas tem 11% menores chances de repetir de ano. Outra variável importante para o desempenho escolar detectada foi a escolaridade dos responsáveis pelas crianças, indicando que aqueles que tinham pelo menos o ensino fundamental, tem chance 32% menor de repetir. Ou seja, ao superar a dimensão da transferência de renda e transformar-se em um programa de promoção social e econômica mais abrangente, o Brasil sem Miséria passa a mudar a realidade social de muitas regiões do País.
É claro que, com as desigualdades acumuladas em toda a história, há muitas coisas a melhorar, mas não se pode deixar de citar os avanços. No fundo, nossos problemas são grandes demais para nos contentarmos com melhorias e avanços lentos e com graves mazelas que precisam ser enfrentadas, especialmente muitas reformas que depende do Congresso Nacional. Mas parece injusto quando, por causa de alguns interesses econômicos contrariados, alguns analistas superdimensionam alguns problemas, esquecem outros, e levam à opinião pública uma visão distorcida da realidade.
Visite o blog da pastoral fé e política http://pastoralfp.blogspot.com/ especialmente a seção Cidadania Ativa!!
*Professor da PUC-SP, colaborador da Pastoral Fé e Política e da Escola de Governo de São Paulo.
Programa exibido na Rádio 9 de julho em 03/04/2013.
                

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Campanha da Fraternidade


Filipe Thomaz*

Frequentemente, o principal objetivo das empresas é o lucro. Mas quando este se torna o único critério para nortear suas ações, há graves consequencias, entre as quais, a agressão à dignidade dos trabalhadores e ao meio ambiente.
 Em 2011, A Campanha da Fraternidade teve como tema "Fraternidade e Vida no Planeta" e como lema "A criação geme em dores de parto". Esta campanha tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre a necessidade de vivermos em harmonia com a natureza.
Atualmente, muitas  empresas vem percebendo que além de pensar no lucro elas PRECISAM, também, ter o cuidado de não agredir o meio ambiente. Pode-se ver publicado no site www.adital.com.br um artigo sobre o assunto.
 
Johnny Wey: Nova classe média precisa de incentivos para aderir à sustentabilidade
EcoD
Projeto do Instituto Ecodesenvolvimento
Adital

Acesso facilitado ao crédito e poder de compra são características da chama nova
classe média. Foto: Thiago Martins
O mercado interno brasileiro mudou consideravelmente na última década, quando cerca de 20 milhões de pessoas, antes consideradas de baixa renda e fora do mercado consumidor, ascenderam à classe média. No entanto, por possuírem características diferentes em comparação as que o mercado lidou durante décadas, esses consumidores emergentes geram mudanças significativas e necessidade de adequação de empresas e dos modelos de negócios.

Mas, afinal, que nova classe média é essa? Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, ela é responsável por 48% da renda nacional (a classe C representa 59%); 68% de seus jovens estudam (coisa que os pais não fizeram); 50,2% são mulheres, que trabalham, frequentam salões de beleza e influem nas decisões familiares. Os jovens apoiam os pais e participam das escolhas da família, devido ao fato de estudarem.
Para entender melhor o tema e saber de que forma esses novos consumidores podem inserir a sustentabilidade em suas realidades, o EcoD conversou com o diretor da empresa Locomotiva Negócios Emergentes, Johnny Wey, especialista em mercados emergentes com experiência em companhias como Nestlé e Schincariol. "As empresas estão tendo de se reinventar para atender a nova classe média", destacou o empreendedor.
EcoD: A chamada nova classe média emergiu nos últimos anos no Brasil e ganha cada vez mais força. De que forma você analisa a postura das empresas diante dessa realidade?
Johnny Wey: Eu penso que há uma relação bastante interessante de causa e efeito entre a nova classe média e a sustentabilidade. Houve um crescimento da população que teve uma mudança de poder aquisitivo e uma consequente capacidade de compra e de consumo maior. As empresas hoje estão muito preocupadas com esse consumidor. Não é à toa que cresce o consumo interno de automóveis, aparelhos de linha branca (eletrodomésticos), internet e celulares, por exemplo. As empresas começaram a entender o consumidor emergente e passaram a ajustar os seus produtos (sem baixar a qualidade dos mesmos), estrategicamente, para conquistá-lo.

Na Nestlé, onde trabalhei com foco no público de baixa renda, por exemplo, trabalhamos com um tipo de leite com menos teor de gordura animal e vegetal, que balanceava a nutrição, só que com o custo mais baixo, armazenado em sachê em vez de lata, a fim de que essa nova classe média pudesse adquirir esse produto no desembolso do dia a dia dela. É um leite de boa qualidade que custava, em média, R$3,00, enquanto a lata de outra marca da empresa tinha o preço de R$8,00.
"Se você quer que o novo consumidor da classe média seja sustentável, será preciso criar um mecanismo onde ele seja incorporado e que tenha valor para ele, por meio de mecanismos de recompensa inovadores”.
EcoD: A pessoa que ingressa na nova classe média é dotada de consciência ambiental e utiliza critérios de consumo consciente?
Johnny Wey: O volume de consumo dessa nova classe média é intenso. Assim como é grande a demanda de recursos da natureza ligada a esse aumento de consumo. Eu tenho uma visão muito pragmática em relação a sua pergunta. Não acho que esse seja o drive dele. Odrive dele é a inclusão no consumo. Ele pensa mais ou menos assim: "Poxa vida, agora que eu posso consumir, não vou pagar mais caro por isso. O que me importa é consumir o produto, seja sustentável ou não". O foco é a inclusão (ideia de "chegou a minha vez"). Eu defendo que, assim como as empresas têm pensado em estratégias atraentes para atrair esse novo consumidor, seja com crédito diferenciado ou promoções que agregam produtos distintos, elas também devem desenvolver estratégias sustentáveis para esse consumidor.
EcoD: Você pode citar algum exemplo?
Johnny Wey: Eu penso que essa história de "Ah, eu só vou consumir embalagem verde e vou pagar mais caro por isso. Eu vou reciclar as embalagens ou destiná-las a um ponto de reciclagem", algumas pessoas vão fazer, mas o grande volume da nova classe média não vai fazer isso só pela causa. Tem que ter alguma vantagem econômica para ele. O governo e as empresas precisam criar mecanismos nesse sentido. Em Pernambuco, a Celpe, que é a companhia elétrica do estado, disponibiliza um caminhão de reciclagem aos consumidores, que ganham desconto na conta de luz ao levarem seu lixo reciclado.
EcoD: Há incentivo, portanto.
Johnny Wey: Há um incentivo. Se as empresas estão preocupadas em reciclar e ter um determinado produto de volta como matéria-prima, por que elas não dão uma pontuação ao consumidor para ele trocar por energia? Ou para comprar um alimento? Ou para ganhar crédito no sistema pré-pago de celular? Existe um desafio: como unir empresas e governo para criar mecanismos de incentivo a essa nova classe média, de modo que ela adote a sustentabilidade ganhando dinheiro, obtendo benefício econômico.
A nova classe média é responsável por 48% da renda nacional (a classe C representa 59%). 50,2% são mulheres, que trabalham e influem nas decisões familiares.
EcoD: E você projeta que essa lógica será aplicada, de fato, em larga escala no Brasil?
Johnny Wey: A Locomotiva e o grupo LTM, que a empresa faz parte, estão muito ligados a fidelização e aos incentivos. Nós temos trabalhado com algumas empresas cujo interesse é incentivar e sensibilizar os consumidores a ter comportamentos mais sustentáveis. Nós oferecemos modelos, sistemas de integração e ferramentas tecnológicas pelas quais você, por meio de um comportamento sustentável, ganha benefícios, pontos, vantagens. O desafio da sustentabilidade e o da inclusão social se encontram de uma maneira bastante interessante, então, vemos com boas perspectivas esse cenário.
Conheça alguns dados sobre a nova classe média no Brasil:
·Em 2011, era composta por 174 milhões de pessoas (54% da classe C e 24% das classes D e E).
· Os consumidores emergentes são responsáveis por: 70% dos cartões de crédito no país; 75% dos gastos com alimentação; e 83% dos celulares.
· A pirâmide socioeconômica, agora, está assim desenhada: classes A e B no topo; classe C no meio; classes D e E na base. Todas são consumidoras em potencial.
· Os emergentes valorizam soluções integradas. Aluguel, transporte e roupa concorrem com produtos e serviços



A igreja precisa se fazer presente a todas as pessoas, sem jamais se distanciar dos problemas do nosso mundo. Jesus nunca se fechou a pequenos grupos, ele sempre foi ao encontro todas as pessoas, inclusive das que pareciam mais distantes do projeto de Deus. A igreja Precisa ter atitudes concretas no sentido de convidar todos a exercer o seu papel na construção de um mundo digno para nós e para as gerações futuras. Só assim é possível acabar com as as estruturas injustas da sociedade.

*Membro da Pastoral Fé e Política - Região Belém

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

MICC - Movimento de Integração Campo-Cidade


Às Regiões Episcopais, Setores, Paróquias e Comunidades,Topo4


MICC - Movimento de Integração Campo-Cidade, vem através deste agradecer a participação e apoio de todos pela realização da Ação entre Amigos, realizada nestes últimos meses e que teve o sorteio realizado no dia 25/08/2012  através da Loteria Federal.

A Ação tem como objetivo a aquisição de um imóvel para o funcionamento do MICC. Mesmo que o valor arrecadado não tenha sido suficiente para realizarmos a compra, o mesmo será investido e complementado com outras atividades que possamos promover, a fim de atingirmos o objetivo.


Infelizmente os números sorteados pertenciam a talões devolvidos, distribuidos, porém não vendidos, e portanto, sem ganhador.
Segue abaixo o resultado:

1o. Premio - Número sorteado 253777 - Talão 2689 devolvido pela Paróquia São João Batista/ Setor São Mateus.
2o. Premio
 - Número sorteado 777364 - Talão 7869 devolvido pela Paróquia Menino Deus/ Setor Antonieta

3o. Premio - Número sorteado 364580 - Talão 3729 devolvido pela Paróquia Reconciliação/ Setor Sapopemba
4o. Premio
 - Número sorteado 580070 - Talão 5004 devolvido pela Paróquia São Miguel Arcanjo / Setor Belém
5o. Premio
 - Número sorteado 070253 - Talão 0513 devolvido pela Paróquia São Marcos Evangelista / Setor Conquista.

Em anexo, enviamos também, um relatório do resultado por Paróquia/Instituição.
Qualquer dúvida, estamos à disposição.

Continuaremos nossa caminhada em favor desse objetivo, contando sempre com a bondade de todos.

Saudações fraternas.

Flavio Roberto de Castro
Presidente
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Consumismo


Filipe Thomaz*

No mundo atual, cada vez mais, se estimula o consumismo exagerado, e se tenta convencer a todos que é uma necessidade consumir e comprar coisas de que não necessitamos. Nesse sistema perverso, o dinheiro vem sendo colocado como se fosse mais importante do que a dignidade e as relações humanas. Isso traz, também, graves consequências para o meio ambiente. O artigo seguinte, publicado no site www.adital.com.br mostra com muita clareza a gravidade da situação.

O consumismo: uma doença?
Marcelo Colussi
Escritor e politólogo argentino. Atualmente radicado na Venezuela
No coração da selva do Petén, no que atualmente é a Guatemala, no cume do Templo IV, joia arquitetônica legada pelos mayas do Período Clássico, duas jovens turistas estadunidenses –com roupa Calvin Klein, com sapatos Nike, com óculos escuros Rayban, com telefones celulares Nokia, câmeras fotográficas digitais Sony, videofilmadoras JVC e cartão de crédito Visa, hospedadas no hotel Westing Camino Real e tendo viajado com milhas de "viajante frequente” por meio de American Air Lines, hiperconsumidoras de Coca-Cola, Mc Donald’s e de cosméticos Revlon-, comentavam ao escutar os gritos de macacos nas copas das árvores próximas: "Pobrezinhos, gritam de tristeza, porque não têm por perto um‘super’ onde possam fazer compras”...
Consumir, consumir, hiperconsumir, consumir mesmo que não seja necessário; gastar dinheiro; ir ao shopping... Tudo isso passou a ser a consigna do mundo moderno. Alguns –os habitantes dos países ricos do Norte e as camadas acomodadas dos do Sul- conseguem sem problemas. Outros, os menos afortunados –a grande maioria do planeta- não; porém, da mesma forma são compelidos a seguir os passos ditados pela tendência dominante: quem não consome está out; é um imbecil; sobra; não é viável. Mesmo correndo o risco de endividarem-se, todos têm que consumir. Como ousar contradizer as sacrossantas regras do mercado?
Poderíamos pensar que o exemplo das jovens acima apresentado é uma ficção literária –uma má ficção, por certo-; porém, não: é uma tragicômica verdade. O capitalismo industrial do século XX teve como resultado as chamadas sociedades de consumo onde, asseguradas as necessidades primárias, o acesso a banalidades supérfluas passou a ser o núcleo central de toda a economia. Desde a década dos 50, primeiro nos Estados Unidos, em seguida na Europa e no Japão, a prestação de serviços superou a produção de bens materiais. Supostamente, os bens massivos suntuários ou destinados não somente a garantir a subsistência física (recreação, compras não unitárias, mas por quantidades, mercadorias desnecessárias, porém impostas pela propaganda etc.) encabeçam a produção geral. Por que essa febre consumista?
Todos sabemos que a pobreza implica carência, falta; se alguém tem muito é porque outro tem muito pouco, ou não tem. Em uma sociedade mais justa, chamada socialismo, "ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão”, disse Eduardo Galeano. Não é necessário um doutorado em economia política para chegar a entender essa verdade. Porém, contrariamente ao que se poderia considerar como uma tendência solidária espontânea entre os seres humanos, quem mais consome anseia, mais do que tudo, continuar consumindo. A atitude das sociedades que têm seguido a lógica do hiperconsumo não é de detê-lo, repartir tudo o que se produz com equidade para favorecer aos despossuídos, deter o saqueio impiedoso dos recursos naturais. Não, ao contrário, o consumismo traz mais consumismo. Um cachorro de uma casa de classe média do Norte come uma média anual de carne vermelha maior do que um habitante do Terceiro Mundo.
Enquanto muita gente morre de fome e não tem acesso a serviços básicos no Sul (água potável, alfabetização mínima, vacinação...), sem a menor preocupação e quase com frivolidade são gastas quantidades incríveis em, por exemplo, cosméticos (8 bilhões de dólares anuais nos Estados Unidos), ou sorvetes (11 bilhões anuais na Europa), ou comida para mascotes (20 bilhões anuais em todo o primeiro mundo). Então, os seres humanos somos uns estúpidos e superficiais individualistas, desperdiçadores irresponsáveis, compradores vazios compulsivos? Responder afirmativamente seria parcial, incompleto. Sem dúvida, todos podemos entrar nessa louca febre consumista; a questão é ver porque esta é instigada, ou ainda mais: fazer algo para que esta não continue sendo instigada. Isso leva a reformular a ordem econômico-social global vigente. Essa loucura não pode continuar!
Mas, é certo que nas prósperas sociedades de consumo do Norte surgem vozes chamando a uma ponderada responsabilidade social (consumos racionais, energias alternativas, reciclagem dos desperdícios, ajuda ao subdesenvolvido Sul...), não devemos esquecer que essas tendências são marginais, ou, pelo menos, não têm a capacidade de incidir realmente sobre o todo.
Recordemos, por exemplo, o movimento hippie, dos anos 60 do século passado: apesar de que representava um honesto movimento anticonsumo e um questionamento aos desequilíbrios e injustiças sociais, o sistema finalmente acabou devorando-o. Dito seja de passo: as drogas ou o rock and roll, suas insígnias das décadas dos 60 e 70, acabaram sendo outras tantas mercadorias de consumo massivo, geradoras de grandes lucros (não para os hippies, precisamente!).
Uma vez fomentado o consumismo, tudo indica que é muito fácil –muito tentador, sem dúvida- ficar seduzido por suas redes. Por exemplo: os polímeros (as distintas formas de plástico) constituem uma invenção recente na história; no Sul chegam em meados do século XX; porém, hoje, nenhum habitante de nenhum empobrecido país poderia viver sem eles; e, de fato, em proporção, são consumidos mais nos países empobrecidos do que no mundo desenvolvido, onde começa a haver uma busca por material reciclado. Por diversos motivos (para estar na moda que lhe impuseram?), é mais provável que um pobre do Terceiro Mundo compre uma cesta de plástico do que de cipó. O consumismo, uma vez em marcha, impõe uma lógica própria da qual é difícil desvencilhar-se. É "aditivo”...
Do mesmo modo, e sempre nessa dinâmica, vejamos o que acontece com o automóvel. Atualmente, é mais do que sabido que os motores de combustão interna –ou seja: os que rendem tributo à monumental indústria do petróleo- são os principais agentes causadores do efeito estufa; sabe-se que produzem um morto a cada dois minutos em escala planetária devido aos acidentes de trânsito, inconvenientes que poderiam ser resolvidos ou pelo menos minimizados com o uso massivo de meios de transporte público, mais seguros em termos de segurança individual e ecológica (um só motor pode transportar cem pessoas, por exemplo; porém, até que não se acabe a última gota de petróleo não haverá veículos impulsionados por energias limpas: água ou sol, por exemplo).
Um motor queimando combustíveis fósseis por pessoa não é sustentável a largo prazo em termos meioambientais; porém, curiosamente, para os primeiros 25 anos do século em curso, as grandes corporações de fabricantes de automóveis estimam vender 1 bilhão de unidades nos países do Sul, e os habitantes dessas regiões do globo, sabendo de tudo o que se escreveu acima e conhecedores dos disparates irracionais que significa mover-se em cidades atoladas de veículos, estão festejando o boom dessas máquinas fascinantes.
Nessa lógica, quem pode, mesmo endividando-se durante anos, faz o impossível para obter seu "zero quilômetro”. Tudo isso nos leva a duas conclusões: por um lado, parece que todos os seres humanos somos muito manipuláveis, fáceis de convencer (os publicitários sabem disso perfeitamente). A semiótica ou a psicologia social de cunho estadunidense, centrada no manejo mercadológico das massas, dizem o mesmo. Se não fosse assim, George W. Bush, um alcoólatra recuperado, pouco douto nas lides políticas, não poderia ter sido presidente de seu país por duas gestões (graças a um vídeo sensacionalista em sua segunda campanha presidencial, por exemplo, que explorou os medos irracionais do eleitorado); ou o cabo de exército alemão Adolf Hitler não poderia ter feito o "educado” povo alemão acreditar ser uma raça superior e levá-lo a um holocausto de proporções dantescas.
Porém, por outro, como segunda conclusão –e isso é, sem dúvida, o nó górdio do assunto- as relações econômico-sociais que desenvolveram com o capitalismo não oferecem saída a essa cilada da dinâmica humana. O grande capital não pode deixar de crescer; porém, não pensando no bem comum: cresce, da mesma forma que um tumor maligno, de forma descontrolada, desordenada, sem sentido. Para que a grande empresa tem que continuar se expandindo? Porque sua lógica interna o força a isso; não pode deter-se, mesmo que isso não sirva para nada em termos sociais. Por que os milionários donos de suas ações têm que continuar sendo cada vez mais milionários? Porque a dinâmica econômica do capital o força; porém, não porque esse crescimento sirva à população. E esse crescimento, justamente –como tecido cancerígeno- se faz a expensas do organismo completo, do todo social, nesse caso; fazendo-se consumir, consumir o desnecessário; depredando recursos naturais e tornando-nos cada vez mais bobos; manipulando nossas emoções através das técnicas de comércio, para que continuemos comprando. "Pobrezinhos, gritam de tristeza, porque não têm por perto um ‘super’ onde possam fazer compras”...
Ditando modas, fixando padrões de consumo, obrigando a mudar desnecessariamente os produtos com ciclos cada vez mais curtos (obsolescência programada), fazendo sentir um "selvagem primitivo” a quem não segue esses níveis de compra contínua, com refinadas –e patéticas- técnicas de comercialização (propaganda enganosa, manipulação midiática que não dá sossego, crédito pré-aprovado...), o grande capital, dominador cada vez mais absoluto do cenário econômico-político-cultural do planeta, impõe o consumo com mais ferocidade que as forças armadas que o defendem lançam bombas sobre territórios rebeldes que resistem a seguir esse roteiro.
Por certo que, dadas certas circunstâncias, o "consumismo” desenfreado poderia ser considerado como uma conduta patológica. De fato, na Classificação Internacional das Enfermidades (CIE), da Organização Mundial da Saúde, bem como no Manual de Transtornos Mentais, da Associação de Psiquiatras dos Estados Unidos (DSM), versão IV, aparece como uma possível forma das compulsões. E, a partir dessa matriz médico-psiquiatrizante, a "compra compulsiva” pode chegar a ser descrita como uma categoria diagnóstica determinada. "Preocupação frequente com as compras ou o impulso de comprar, que se experimenta como irresistível, invasivo e/ou sem sentido. Compras mais frequentes do que uma pessoa se pode permitir e de objetos que não são necessários, ou sessões de compras durante mais tempo do que se pretendia”.
Sem negar que isso exista como variável psicopatológica ("Calcula-se que a compra compulsiva atinge entre 1.1% e 5.9% da população geral e é mais comum entre as mulheres do que entre os homens”), o consumismo voraz que o sistema nos impõe é mais do que uma conduta compulsivo-aditiva individual. Em todo caso, nos fala de uma "enfermidade” intrínseca ao próprio sistema. Se as jovens do exemplo que dei no começo desse artigo são tão "estúpidas”, frívolas e superficiais, são apenas o sintoma de um transtorno que se move atrás delas. Transtorno que, certamente, não se resolve com nenhum produto farmacêutico, com um novo medicamento milagroso, com outra mercadoria a mais para consumir, por melhor apresentada e por mais publicidade que tenha. Ao contrário, se resolve mudando o curso da história.

Jesus Cristo sempre pregou que as pessoas fizessem o bem umas às outras, para assim construirmos o reino de Deus. Todos, sem excluir ninguém são convidados a participar dessa construção e portanto, as pessoas não podem ser valorizadas ou desvalorizadas conforme seu padrão de consumo. O dinheiro é importante mas não pode se tornar um ídolo. A Bíblia mostra que todas as vezes que o povo colocava ídolos do lugar de Deus, ocorriam graves consequencias.
Todos os anos, a Igreja promove a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo nos fazer refletir sobre nosso papel como cristãos e mostrar que cada um de nós é convidado a ajudar a combater problemas sérios do nosso mundo e participar da construção do reino de Deus. Em 2010, o tema foi "Economia e Vida (ecumênica)" e o lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". em 2011, a campanha teve o tema "Fraternidade e a Vida no Planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto". A Igreja, incluindo todos nós, não pode, em nenhuma hipótese ficar indiferente às necessidades concretas do nosso mundo.

*Membro da Pastoral Fé e Política - Região Belém

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Economia e Vida


Filipe Thomaz*
O dinheiro traz muitos benefícios à humanidade, mas precisa ser utilizado tendo em vista o bem de todos, e não, colocando as pessoas à sua disposição. Para ajudar a criar essa consciência, a igreja promoveu a Campanha da Fraterinidade de 2010 com o tema "Economia e Vida (ecumênica)"e o lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". Sabe-se, também, que o consumismo exagerado, com o uso irresponsável do dinheiro agride muito o meio ambiente e por isso, em 2011, a campanha teve o tema "Fraternidade e a Vida no Planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto". 
Lendo o artigo seguinte, podemos entender que essas propostas estão profundamente de acordo com as necessidades do mundo atual
 
 
 Adital
Quarta, 06 de junho de 2012
"A crise representa um perigo à unidade da Europa, em particular por causa da política da senhora Ângela Merkel, a premier da Alemanha, que faz uma política contra o interesse da União Europeia”, declara o economista italiano
Em 1944, delegados membros de 44 nações se reuniram no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, para estabelecer as regras de funcionamento do sistema comercial e financeiro internacional entre os países mais industrializados do mundo. O encontro deu origem ao Acordo de Bretton Woods que, entre outras coisas, estabeleceu o dólar como moeda internacional.
Hoje, quase sete décadas depois, as soluções para a crise econômica e política dependem da realização de um novo acordo que defina as regras financeiras internacionais a serem seguidas daqui para frente, avalia o economista italiano Stefano Zamagni. "Não é possível que esse conselho seja formado apenas por representantes dos países ocidentais. Devem participar representantes de vários países, inclusive dos Brics[1], e o Brasil é o primeiro desse grupo de países que deve tomar decisões junto com os outros”, assegura.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line,Zamagni também analisa as consequências da crise na Europa, especialmente na Itália, e menciona que as maiores implicações são em relação ao desemprego, pois o país ainda possui uma economia real forte. "Este é um verdadeiro perigo, porque o desemprego não é distribuído entre a população; ele está concentrado entre os jovens. E quando os jovens ficam desempregados, conhecemos as consequências”,alerta.
Com um extenso currículo, o economista italiano Stefano Zamagni (foto abaixo, quando este esteve no IHU, 05-06-2012) recentemente ganhou destaque mundial por ter sido um dos principais consultores e assessores do PapaBento XVI na redação da encíclica Caritas in Veritate, publicada em 2009, acerca do "desenvolvimento humano integral”.
Zamagni esteve no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, na manhã de ontem, onde ministrou a palestra Crise Econômica Global e a Economia Civil - possibilidades e desafios.
É professor da Universidade de Bolonha, na Itália, e já lecionou na Universidade de Parma e na Universidade Comercial Luigi Bocconi, em Milão. Desde 1991, é consultor do Conselho Pontifício "Justiça e Paz”, do Vaticano, e, entre 1994-1995, foi membro do comitê de iniciação da Pontifícia Academia das Ciências Sociais. É autor de inúmeros livros, dentre os quais destacamos Microeconomia (Ed. II Mulino, 1997), Profilo di Storia del Pensiero Economico (Ed. Nuova Italia Scientifica, 2004), Per una Nuova Teoria Economica della Cooperazione (Ed. Il Mulino, 2005) e L'Economia del Bene Comune (Ed. Città Nuova, 2007). Em português, publicou recentemente Economia Civil: Eficiência, Equidade e Felicidade (Ed. Cidade Nova, 2010), com coautoria de Luigino Bruni.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais são os efeitos políticos e econômicos da crise na Europa, especialmente na Itália?
Stefano Zamagni – As consequências são muito sérias. Primeiro, porque a crise representa um perigo à unidade da Europa, em particular por causa da política da senhora Ângela Merkel, a premier da Alemanha, que faz uma política contra o interesse da União Europeia. Hoje em dia a Alemanha é um país muito desenvolvido e não tem a necessidade de defender a Comunidade Europeia.

Segundo, porque se trata também de uma crise política, uma crise de lideranças. Hoje, não existem líderes políticos capazes de adotar uma estratégia cooperativa entre os países. Tudo isso é, obviamente, amplificado em um país como a Itália, que tem um governo técnico, e não um governo político no sentido próprio da palavra. Isso significa que a classe política não é capaz de indicar uma mudança. Essa é a razão pela qual a sociedade civil da Itália, ou seja, associações, fundações e a Igreja, buscarão uma medida para sair da crise. Veremos que daqui alguns meses irá se produzir algo de novo na Itália. Estou seguro de que em setembro ou outubro algo de importante será produzido, porque a situação presente não é sustentável.
Enfim, a crise tem uma implicação maior sobre o ponto de vista do desemprego. Existem muitos desempregados na Europa, e também na Itália. Este é um verdadeiro perigo, porque o desemprego não é distribuído entre a população; ele está concentrado entre os jovens. E quando os jovens ficam desempregados, conhecemos as consequências. Então, diria que no caso da Itália não há problema em relação à economia real, da estrutura econômica, porque a estrutura econômica é muito forte, mas a estrutura financeira é fraca. Esse é um ponto de diferença em relação à Espanha, Grécia e Portugal, os quais não têm uma estrutura econômica real.
IHU On-Line – A Comunidade Europeia surgiu com o objetivo de unir os países do bloco europeu, mas por conta da crise os países se dividem e as economias mais fortes defendem a austeridade fiscal. Qual a melhor medida a ser tomada em relação ao euro?
Stefano Zamagni – Ainda não é possível avaliar o futuro do euro. É preciso aguardar umas duas semanas, porque o Conselho Europeu tem de tomar uma decisão muito importante em relação a ele. Estou otimista porque acredito que o Conselho irá tomar uma decisão em favor da manutenção da moeda, visto que ninguém quer que a Grécia abandone a União Europeia. Até porque essa atitude seria perigosa do ponto de vista econômico, cultural e político. Especialmente na Itália e na Espanha, as associações da sociedade civil estão pressionando os governos para obterem esse resultado em favor do euro.

IHU On-Line – O senhor concorda com as visões neokeynesianas de que é preciso regular o mercado? Como deveria ocorrer a regulação?

Stefano Zamagni– Essa é uma questão fácil de compreender, mas difícil de aplicar, porque vivemos no período da globalização. Quer dizer, o mercado hoje em dia é global e sua política é universal. Mas as autoridades políticas são racionais. Então, alguns dizem que essa situação não é sustentável, porque os mercados e as economias globais não conseguem se autorregular.

Temos a necessidade de realizar uma reunião como a que aconteceu em 1944, quando o Bretton Woods[1] deu início à regulamentação internacional. Entretanto, tem-se que ter a seguinte condição: a de que não é possível ser esse conselho formado apenas por representantes dos países ocidentais. Devem participar representantes de vários países, inclusive dos Brics [2], e o Brasil é o primeiro deste grupo de países, que deve tomar decisões junto com os outros. Esta é a grande novidade hoje.
IHU On-Line – Filmes como Inside Job e Margin Call mostram que economistas que eram professores na academia sabiam da existência da crise. Como o senhor vê o comprometimento dos economistas acadêmicos neste caso?
Stefano Zamagni– Hoje em dia, os economistas acadêmicos estão divididos em dois grupos: um grupo é particular da Escola de Chicago; são os neoliberais, que defendem a ideia de que o mercado tem a capacidade de se autorregular, e não há necessidade de as autoridades o regularem. Esse grupo é muito perigoso, porque não tem razão e sustenta uma ideologia perigosa.
O outro grupo de economistas, como Paul Krugman, dos EUA, dizem que o mercado não tem a capacidade de se autorregular e, portanto, há a necessidade de realizar o que chamam de um novo Bretton Woods. Estou seguro de que em curto prazo a segunda escola irá avançar, porque a primeira escola não tem capacidade de conseguir resultados.
IHU On-Line – A partir da sua compreensão de economia civil, como é possível pensar alternativas para a crise internacional atual?
Stefano Zamagni– O paradigma da economia civil é uma forma de teoria econômica que considera um princípio de reciprocidade como essencial ao bom funcionamento do mercado. Mas a diferença está só aqui. A economia neoliberal considera que é suficiente a existência do Estado e do mercado. Para a economia civil, há a necessidade de ter o Estado, o mercado, mas também uma sociedade civil organizada. Isso tem um impacto muito grande sobre o princípio da democracia.
Temos de organizar a democracia novamente, pois não é suficiente votar a cada quatro anos. Há a necessidade de a população e as associações da sociedade civil se organizarem. Depois, há a necessidade de que as empresas que operam o mercado passem a considerar a sua responsabilidade, o que chamo de responsabilidade social da empresa. Porque não é possível aceitar que as empresas não se responsabilizem sobre o meio ambiente, sobre os trabalhadores etc. Estou convencido de que a perspectiva da economia civil irá se desenvolver futuramente.
IHU On-Line – Mas de que modo a economia civil pode dialogar com a ecologia? Ou uma economia civil também é antropocêntrica?
Stefano Zamagni– Nunca será possível desenvolver o problema ecológico se não considerarmos a perspectiva da economia civil, porque o princípio básico da economia civil é o princípio de reciprocidade. O que é o problema ecológico? É um problema de reciprocidade entre a geração presente e a geração futura, entre a natureza e os homens que vivem na sociedade. Este é o ponto fundamental. E se não temos a capacidade de veicular o conceito de reciprocidade, o problema ecológico não será resolvido.
IHU On-Line – Hoje, o mercado tomou as rédeas da política, colocando em crise as instâncias supranacionais. Nesse contexto, é possível realmente estabelecer uma "autoridade pública global” com autoridade?
Stefano Zamagni – Tudo depende de como se interpreta a autoridade. Existem duas interpretações: governantes e governança. Necessitamos de uma governança, não de governante. Mas quando se fala de autoridade política, este é um conceito ambíguo. Por isso há de se especificar o que é governança. Temos de especificar o que se quer. Se se entende uma autoridade no sentido da governança, minha resposta é sim, é possível estabelecer umaautoridade global. Mas se se entende no sentido de governante, minha resposta é não.
NOTA
[1] Brics: grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul. Não se trata de um bloco econômico ou uma associação de comércio formal, como no caso da União Europeia, mas os países membros do Brics, por seu crescente poder econômico, se reúnem para ter maior influência geopolítica. Desde 2009, os líderes do grupo realizam cúpulas anuais.

A história nos mostra que a geração de riquezas por si só não é suficiente para trazer bem estar a todos. É imprescindível que elas sejam adequadamente utilizadas, pois caso contrário, ocorrem graves consequências para as pessoas e para o meio ambiente.
A atual crise na Europa é mais um alerta para nos fazer refletir sobre a forma como estamos usando o dinheiro. Como cristãos conscientes, temos a responsabilidade de contribuir para criar estruturas em que todo o capital que existe, e que não é pouco, seja usado para garantir que não falte o essencial a ninguém. Todos nós precisamos participar da criação de uma sociedade mais justa. Para isso, é fundamental que o lucro não seja o principal critério a nortear nossas atitudes.

*Membro da Pastoral Fé e Política



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Fraternidade e trabalho

O povo de Deus foi muito oprimido como escravos no Egito. A escravidão feriu, também, a dignidade dos negros trazidos da África, além de muitos outros casos. Hoje, pelo menos oficialmente, não existe escravidão no Brasil. Mas Será que, de uma maneira legalmente aceita, não está acontecendo algo bastante semelhante com a grande maioria dos trabalhadores? Muitos são explorados para que algumas poucas pessoas ganhem lucros abusivos.



A Igreja precisa ser fiel ao projeto de Deus e estar sempre atenta à realidade do mundo para denunciar e combater as estruturas de pecado. Sabemos que, no Brasil, existem muitas injustiças contra os trabalhadores.




Por isso, a Campanha da Fraternidade, um trabalho importantíssimo da Igreja, por diversas vezes teve temas relacionados com o trabalho, por exemplo, 1978: tema "Fraternidade no mundo do trabalho" e lema "Trabalho e justiça para todos"; 1991: tema "A Fraternidade e o Mundo do Trabalho" e lema: "Solidários na dignidade do Trabalho"; 1999: tema "Fraternidade e os desempregados" e lema: "Sem trabalho...Por quê?"; 2010: tema tema "Economia e vida (Ecumênica)" e lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".










Jesus Cristo pregava que houvesse justiça para todos, e que ninguém oprimisse seus semelhantes e, como cristãos verdadeiros, temos a responsabilidade de, no mundo de hoje, lutar para que esse projeto se torne realidade.











Podemos ver, a seguir, aqui um exemplo bem claro, e que não podemos aceitar, de exploração que coloca as pessoas a serviço dos lucros abusivos.

Ganância dos bancos prejudica cliente e trabalhador

matéria postada em 16.03.12 no site Adital.





Contribuição de Rosimar e Filipe Thomaz
Membros da Pastoral Fé e Política

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Feirinha Solidária - 19 e 20/11



Paróquia São João Batista

Rua Coronel Marques, 174
VILA CARRÃO - SÃO PAULO


Se você quer implantar a feirinha solidária na sua comunidade, entre em contato.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lixo eletrônico e o Consumismo

 


Ocorreu no último sábado, na PSJB, o 4o. encontro da
Campanha da Fraternidade 2011.O evento iniciou com a Missa e a reflexão:
”Se me amais, guardareis os meus mandamentos".

Na sequencia com cantos animados pelo Filipe e o Hino da CF.
Aprofundamos o tema sob a assessoria do Paulo Lopes.




Ele nos motivou a diferenciar:
  • Consumo e consumidor - elementos necessário para o giro saudável da economia
  • Consumismo e consumista - elementos nocivos à economia.

Tudo isso relacionado à Palavra de Deus que nos compromete a agir:
  • Cuidado com a criação
  • Respeito ao outro
  • AMAR A DEUS NO AMOR AO PRÓXIMO
Da mesma forma refletiu-se a Tecnologia

  • Fruto da ciência e sabedoria humana que em si não é nem boa nem má. A tecnologia é aquilo que a mão que manipula quiser.
  • Um aspecto negativo é o consumismo tecnológico - comprar, comprar, comprar e descartar, descartar, descartar...Tudo com a falsa idéia de status, poder, promessa de "felicidade".
A partir daí entrou-se na temático do lixo eletrônico - proveniente de computador, celular, rádio, TV, pilhas ...

Esse material descartado incorretamente libera componentes tóxicos e é composto de material nobre, extraído da natureza, material este como ouro e prata que são recursos minerais finitos.

O descarte do lixo eletrônico não deve ser feito da mesma forma que os resíduos comuns como papel, alumínio ...

Os países mais pobres estão recebendo esse lixo dos países mais ricos e sem recursos sanitários, científicos e tecnólogicos estão desperdiçando boa parte deste material e tratando de forma altamente perigosa para os seres humanos envolvidos e o meio ambiente.

O custo social deste processo não está sendo considerado.

Várias empresas recebem o lixo eletrônico, triam e separam com segurança. Algumas, ao triar, detectam vários aparelhos que estão ainda em fase de utilização, substituem o que está danificando e encaminham essas máquinas para comunidades carentes e respondem à demanda da inclusão digital.


Portanto é necessário:

  • Reduzir o consumo;
  • Realizar o consumo consciente;
  • Enviar o material para a reciclagem segura;
  • Reutilizar e
  • Incluir os excluídos.
Agradecemos a Deus por este encontro e pedimos que a consciência sobre o cuidado com o consumo e descarte eletrônico seja fortalecido no Planeta.